Arícia, de negra e de índia

O tempo e Oxum estão ao lado de Arícia Mess. Fluminense de Niterói radicada em São Paulo, a cantora e compositora volta com mais autonomia em seu segundo álbum, Onde Mora o Segredo. Foi aqui que ela veio mesmo colocar "a mão na massa", auxiliada pelo fotógrafo Yuri Pinheiro, que também lida com programações eletrônicas e deu dicas a ela. Os vínculos com a turma Rio também foram mantidos. Carlos Trilha e Fernando Morello, que dividem a produção, os arranjos e a masterização com ela, também tocam piano e sintetizadores. Suely Mesquita é parceria nas canções. Pedro Luís está presente no repertório, como estava no promissor álbum de estreia da cantora, Cabeça Coração, lançado em 2000.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

"A gente vive num momento muito imediatista. Gosto de amadurecer as coisas, de esperar por elas. É preciso dar tempo para a fruta amadurecer e ficar gostosa para comer", diz. "Nesses dez anos também fiquei ansiosa, com medo de não conseguir fazer outro disco, tive de persistir para poder gravar do jeito que eu queria", diz a cantora.

Arícia tem uma voz peculiar - potente, afinada, pungente e cativante - que se destaca entre tantas genéricas que infestam a "nova MPB". É criteriosa na escolha do que canta (um dos achados do CD é Preto Velho, do baiano Marcus Cabeção), e tem o dom raro das grandes intérpretes de fazer dela canções alheias. É o caso de Black Is Beautiful (Marcos e Paulo Sérgio Valle), Dengue (Leci Brandão), Interesse (Suely Mesquita/Pedro Luís) e Clariô (Péricles Cavalcanti), esta em dueto impecável com Leo Cavalcanti.

A propósito, em certos momentos, Arícia lembra a gloriosa Gal Costa dos tempos de Clariô e escolheu a dedo canções que não só caem bem na sua voz, mas no contexto do disco em que homenageia as índias e as negras. "Tenho essas mulheres na minha vida, que são minhas avós. São mulheres muito simples e ricas de alma, de sabedoria", diz Arícia. Se "rainha de Angola mandou dançar", como diz a retumbante faixa-título (de Arícia e Suely), ela faz dançar com batidas eletrônicas em ritmo de afro-beat, jongo, funk, soul e candomblé. As canções foram curtidas antes no palco, Arícia gravou todas ao vivo em estúdio com sua banda paulistana. Naturalmente, tudo isso é evidência de sua evolução artística.

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