Ariano Suassuna, homenagem pelos 80 anos na Bienal do Rio

Autor do 'Auto da Compadecida' recebe placa, encenação sobre sebastianismo e apresentação de samba

Ubiratan Brasil, do Estadão,

14 de setembro de 2007 | 20h04

Antes, uma encenação em homenagem ao sebastianismo e uma apresentação de samba; depois, uma crítica ao presidente americano George W. Bush: esse foi o teor da homenagem desta sexta, 14, ao escritor Ariano Suassuna na 13.ª Bienal Internacional do Livro pelos seus 80 anos. "Vocês acertaram no tema pois o sebastianismo é algo muito forte no que escrevo", disse ele aos alunos do Instituto Educação, que encenaram uma mistura de cenas de O Auto da Compadecida e A Pedra do Reino. Suassuna recebeu ainda uma placa comemorativa entregue pelo vice-governador do Rio, Luis Fernando Pezão, que confessou ter inveja do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, por ter Suassuna como secretário de Cultura. O sebastianismo é uma corrente que perdura desde 1578, ano em que teria morrido o rei de Portugal D. Sebastião, durante uma batalha no norte da África. "Sempre me simpatizei com sua figura, mas sua empreitada de ir à África colonizar os muçulmanos não foi correta", disse o escritor. "Ele teve a coragem de realizar seu sonho e é isso que admiro - todo homem precisa da loucura para não cair na rotina." Suassuna disse ainda que D. Sebastião era um colonialista que difere dos políticos atuais que têm a mesma ambição. "Ao contrário do Bush, ele tinha um sonho e a coragem de se colocar à frente de seus soldados." Do Rio de Janeiro, Ariano Suassuna segue na segunda-feira para São Paulo, onde participa, na terça-feira, 18, de um evento no Memorial da América Latina.

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