Felipe Rau/ AE
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Ariano Suassuna, de 86 anos, é internado no Recife

Segundo assessoria do escritor, exames constataram que ele sofreu um infarto

Angela Lacerda/ Recife, O Estado de s.Paulo

21 de agosto de 2013 | 14h13

O escritor e dramaturgo Ariano Vilar Suassuna, 86 anos, sofreu um enfarte na manhã de hoje (21). Ele passou mal na sua casa e foi levado ao Hospital Português, no Recife. Ariano tem diabetes controlada.

A informação foi inicialmente desmentida por familiares e pela assessoria do escritor, que disse que ele havia feito exame de rotina depois de uma exaustiva viagem por quatro estados - Rio, São Paulo, Santa Catarina e Ceará. A confirmação sobre o infarto ocorreu no início da tarde e, em nota, o Governo de Pernambuco informou que o escritor, que é secretário da Assessoria Especial do governo estadual, havia dado entrada no hospital às nove horas, depois de sentir-se indisposto e fez exames, por recomendação médica, que diagnosticaram o infarto. "Ele está consciente, conversando com a família e bem-humorado", informou a nota.Ele continua internado.

O bom humor é característica do escritor paraibano, que vive em Pernambuco desde sua adolescência. Defensor ferrenho da cultura nordestina, Ariano é nacionalista e não admite estrangeirismos. Autor de inúmeras peças e livros, ele se projetou nacionalmente com a peça "O auto da compadecida", de 1955, que imortalizou personagens como João Grilo e Chicó". 

Foi um dos fundadores, em 1970, do Movimento Armorial, que criou arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina em suas várias expressões, a exemplo da literatura de cordel, xilogravura, rabeca e pífano.

Membro da Academia Brasileira de Letras, Ariano foi advogado e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Simples e avesso a modismos e ostentações, adotou como vestimenta uma espécie de "farda", que ele diz ser "a farda comum do escritor brasileiro em missão, a serviço". Nos pés, alpercatas de couro. Segundo o escritor, sua forma de vestir e calçar são fruto do seu desejo de identificação do seu trabalho de escritor com o que Machado de Assis chamou de "Brasil real". 

Muitas vezes polêmico pelas duas ideias radicais, Ariano Suassuna já foi tema de enredo de escolas de samba, a exemplo da carioca Império Serrano, em 2002, e da paulista Mancha Verde, em 2008.

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