EFE/Divulgação
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Argentinos celebram centenário de Vinicius

Centro Cultural Recoleta faz mostra com imagens do poeta brasileiro

Alida Julianni Sánchez / BUENOS AIRES, EFE

25 de novembro de 2013 | 02h15

Intimamente ligada à sua obra, Buenos Aires comemora desde o dia 21 o centenário do nascimento de Vinicius de Moraes (1913-1980), com uma exposição multimídia que resgata a alma e a sensibilidade do artista genial.

O espírito deste poeta, dramaturgo, roteirista, crítico, diplomata e jornalista revive na sala Cronopios do Centro Cultural Recoleta da capital argentina, cujas paredes estão recobertas por uma coleção de fotografias e textos do autor da letra da famosa Garota de Ipanema.

Parte das 90 imagens que constituem a exposição gráfica foram doadas pela viúva, a argentina Marta Rodríguez Santamaria, que idealizou o projeto, surgido como uma "ideia simples" e que acabou crescendo e tornando-se "uma espécie de terapia, um processo espiritual" para ela.

"Eu era muito jovem quando conheci Vinicius, tinha 22 anos, e conhecê-lo espiritualmente foi uma experiência muito forte, produziu um impacto muito grande em mim, mudou a minha maneira de ver a vida. Muitas coisas que talvez tenham ficado sem concluir; e agora tive a oportunidade de retomá-las", disse Marta à Efe.

Durante mais de dois anos, a viúva do compositor trabalhou com a artista plástica Renata Schussheim, grande amiga dele, para transmitir na mostra Vinicius... Saravá! A vida, amigo, é a arte do encontro", um legado que elas consideram "necessário para as pessoas". "O legado que está aí e que é preciso saber entender. A exposição é como retomar Vinicius de uma forma espiritual, porque ele não está presente fisicamente, mas seu espírito está dando voltas por aqui", afirma.

Cor e PB. A presença do compositor pode ser sentida através das imagens, algumas em branco e preto, outras coloridas, de tamanho pequeno, médio e de grande formato, parte de uma coleção pessoal, tomadas durante diversas viagens, em situações familiares e com amigos.

Outro segmento gráfico tem como autor o fotógrafo Gianni Mestichelli, que o retratou em suas estadias em Buenos Aires, na lendária gravação do disco La Fusa, com Toquinho e Maria Creuza, em apresentações do espetáculo ao lado de Dorival Caymmi, Baden Powell e o Quarteto em Cy ou em reuniões com Astor Piazzolla.

"Ele (Vinicius) rompeu a barreira entre o popular e o erudito. Podia ser amigo de qualquer pessoa e também de Orson Welles. Nunca o perdoaram por ter deixado a poesia elitista para fazer canções, e isto também foi revolucionário", explica.

Numa parede da sala, a projeção de uma praia vazia e o ruído do mar refletem "esta sensação de bem-estar tão necessária neste momento em que o mundo todo é violento", destaca Schussheim, para quem a exposição representa "uma viagem pela cabeça e pela sensibilidade de Vinicius".

"Não quisemos fazer uma homenagem, mas um festejo, algo descontraído, caloroso, com o espírito com que ele viveu na Argentina, com seus amigos", destaca a artista plástica, reconhecendo que, inconscientemente, a mostra, que permanecerá aberta ao público durante três semanas, é também "uma espécie de homenagem ao amor" do casal.

A música de Vinicius, autor de cerca de 400 canções, está também presente na exposição, "e envolve com sua magia os visitantes durante todo o percurso", entre livros e cartas do poeta.

"O centenário não é um número qualquer, é especial porque é como uma volta à própria origem. E tampouco é casual que esta mostra se realize em Buenos Aires, uma cidade ávida de cultura, que foi tão importante para ele", afirma a argentina Marta. "Depois do Brasil, esta é seguramente a homenagem maior que farão a Vinicius, em termos de tempo e conteúdo", conclui. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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