Argentino é o destaque em seleção latina

Além do argentino Las Acacias, de Pablo Giorgelli, na Semana da Crítica, que ganhou a Caméra d"Or, a seleção latina de Cannes em 2011 exibiu outro interessante filme em língua espanhola. O mexicano Gerardo Naranjo levou à Croisette sua Miss Bala, história de uma garota que quer participar de um concurso de beleza e ganha o passaporte para se envolver com tráfico (e ser apresentada como criminosa no desfecho).

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

O filme é violento e, na sua mistura de glamour e cafonice, passa uma imagem devastadora do país. Miss Bala foi apresentado na mostra Um Certain Regard, assim como Trabalhar Cansa, dos brasileiros Marco Dutra e Juliana Rocha. O nacional flerta com o fantástico e começa e termina bem, um pouco na sombra de Sergio Bianchi - com quem compartilha a crença de que o Brasil é cronicamente inviável -, mas parece meio desconjuntado entre os seus extremos.

Abismo Prateado, na Quinzena dos Realizadores, não acrescenta nada muito substancial ao que Karim Aïnouz já fez. Inspirado nas canções de Chico Buarque, e em especial em Olhos nos Olhos, o filme possui um roteiro errático, que se abre - e amplia - seguindo diferentes personagens.

Pode ser interessante, mas também dispersivo. Vai depender do grau de adesão do público. O que tem de melhor é a singular capacidade do diretor para trabalhar com suas atrizes. Depois de Hermila Guedes em O Céu de Suely, Karim põe Alessandra Negrini no papel de uma mulher abandonada pelo marido. O diretor não realça a beleza da atriz, mas a descobre aos poucos. Uma Alessandra estonteante limitaria a personagem - o espectador não ia aceitar seu sofrimento, crente de que ela logo arranjaria outro amor. Mesmo assim, é duro tentar desgrudar o olho dela da tela.

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