Stephane de Sakutin/ AFP
Stephane de Sakutin/ AFP

Ares ecologistas também sopram na Semana de Moda de Paris

Militantes da organização PETA protestam em Paris em 23 de setembro de 2019 contra o uso de couro na indústria da moda

AFP, Agências

24 de setembro de 2019 | 13h22

Em plena onda de mobilizações contra as mudanças climáticas, a Semana de Moda de Paris começou nessa segunda-feira (23) com as boas intenções ecologistas da Dior e um protesto de ativistas contra o impacto do setor no meio ambiente. A indústria da moda é uma das mais contaminantes do planeta e a pressão social está levando marcas históricas a se mobilizarem para conseguir uma imagem mais amigável com o meio ambiente.

Mais de 30 grandes grupos mundiais do setor têxtil, desde a gigante do luxo Kering até a espanhola Inditex (das marcas Zara e Massimo Dutti) lançaram no mês passado, durante a cúpula do G7 de Biarritz, um "pacto da moda" com o comprometimento de agirem para limitar o aquecimento a 1,5ºC com relação à era pré-industrial.

A grande ausência dessa coalizão, o grupo LVMH, rival da Kering, tomou a iniciativa nesse início da Semana de Moda de prêt-à-porter primavera-verão, que coincidiu com a cúpula da ONU em Nova York sobre as mudanças climáticas. Uma de suas principais marcas, a Dior, publicou em sua conta no Instagram uma mensagem ecologista que marcará seu desfile nessa terça-feira.

A estilista italiana Maria Grazia Chiuri, que até agora se mobilizou pelo feminismo mais do que pelo meio ambiente, vai apresentar uma coleção em um jardim com 160 árvores, que serão replantadas posteriormente em Paris.

A Dior parece ter aprendido com as críticas que a Chanel recebeu após seu desfile de março de 2018 em Paris, quando Karl Lagerfeld recriou uma floresta de outono. O cenário irritou a federação France Nature Environnement, que classificou o corte das árvores para o desfile. A Chanel afirmou depois que tinha se comprometido a replantar 100 carvalhos.

O evento mais importante da indústria da moda recebeu antes da abertura um protesto da associação de defesa dos animais PETA. Com a Torre Eiffel como fundo, vários militantes derramaram baldes de "lama tóxica" sobre o corpo para "lembrar aos representantes da moda de todo o mundo que o couro é um negócio sujo".

"A indústria do couro produz resíduos tóxicos perigosos e é responsável pela morte de mais de um bilhão de animais por ano para produção de acessórios de moda que estão destruindo o planeta", disse em entrevista à AFP a militante da PETA, Marie-Morgane Jeanneau.

O verde e as estampas vegetais dominaram o desfile dessa segunda-feira da marca japonesa Mame Kurogouchi, que estreou na Semana de Moda parisiense. Com uma aposta abertamente marcada pela natureza, a estilista japonesa, que criou sua própria marca em 2010 após trabalhar com Issey Miyake, usou a malha para criar sobreposições em conjuntos elegantes e fluidos. As plumas também foram usadas para conectar a mulher com o entorno natural.

O sul-coreano Kiminte Kimhekim também desfilou pela primeira vez na capital francesa, reivindicando seus laços enormes usados como chapéus ou cintos. "Alguns pensam que não é usável, mas eu não ligo", disse o estilista à AFP. A marca mistura looks esportivos, como um sutiã projetado para corrida, com peças delicadas de organza. Algumas modelos desfilaram empurrando suportes de soro usando camisetas com a palavra "Sick" (doente).

Chanel, Balenciaga, Loewe e Celine serão destaques do evento, que acontece até 1 de outubro. A grande ausência será o estilista americano Virgil Abloh, que anunciou seu afastamento temporário da linha de frente do evento alegando cansaço. Abloh não estará presente em Paris, mas sua marca Off-White desfila em 26 de setembro.

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