Arco, menor e mais silenciosa

Apesar da redução provocada pela crise econômica espanhola, galeristas revelam entusiasmo

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

A Arco Madrid, feira internacional de arte moderna e contemporânea realizada na capital espanhola, abre hoje suas portas para o público, que pagará ingressos de 32 para visitar, até domingo, os estandes de 197 galerias de 26 países. São muitos participantes, mas, mesmo assim, esta edição da Arco, que comemora 30 anos e homenageia a produção artística atual da Rússia, está consideravelmente menor, menos espetacular, característica vista com entusiasmo pelos galeristas. "Agora não tem tanto teatro e as pessoas podem ver melhor as obras", diz a espanhola Helga de Alvear, que expõe na feira os artistas de sua galeria madrilenha desde 1982.

Está tudo mais silencioso na Arco, mais rebaixado, o que vai de encontro com o clima da grande crise econômica na Espanha - e a pós-crise interna vivida pela direção da feira na virada do ano passado. O novo diretor do evento, Carlos Urroz, que faz agora sua edição de estreia, não é de muitas palavras e rechaça que os preços das obras nesta Arco estejam mais baratos. "Foi tudo fantástico", afirmou, sobre a inauguração da Arco para convidados, anteontem. Mas Patrice Cotensin, um dos diretores da Galeria Lelong, com sede em Paris, em Nova York e Zurique, não destaca, ao ser entrevistado pelo Estado, o trabalho do artista catalão Joan Miró de 350 mil que estava em seu estande, e sim a seção de obras gráficas feita para "atrair colecionadores". "Afinal, não vemos muita diferença na Arco porque a qualidade é ainda boa", diz Cotensin. A Lelong, que representa os brasileiros Cildo Meireles e Hélio Oiticica, também colocava à venda um Metaesquema de 1958 do último por US$ 200 mil.

"O Ocidente está em crise, não só a Espanha, e talvez seja um momento importante para os colecionadores investirem", diz a galerista espanhola Adora Calvo, de Salamanca, que representa as brasileiras Beth Moysés e Anaisa Franco, que recebeu o prêmio Arco Madrid Beep de Arte Eletrônica.

Até o número de galerias brasileiras presentes na Arco 30 foi escasso este ano em comparação a edições anteriores - participam a Dan Galeria (com seu impressionante conjunto de construtivos brasileiros), Ybakatu Espaço de Arte, Luciana Brito, Millan e Vermelho. "Preferimos ir à Frieze (feira de Londres), que é muito boa para gente, porque é menor e internacional", disse Eduardo Brandão, sócio da Galeria Vermelho. Mas, de qualquer forma, os expositores explicaram que estavam vendendo tranquilamente na Arco. Viu-se, ainda, muitos artistas brasileiros presentes em estandes de galerias de outros países, como Rosângela Rennó em La Fabrica (de Madri), José Bechara (na Carlos Carvalho Arte Contemporânea, de Lisboa) e Rubens Mano (na Adhoc, de Vigo).

Focos. O tom mais silencioso da feira se refletiu até mesmo na disposição expositiva das oito galerias de Moscou e São Petersburgo que representam o país homenageado desta edição da Arco - para se ter ideia ainda, quando o Brasil foi recentemente o "país convidado" da feira, em 2008, sua representação foi de 31 galerias. Os estandes russos não ficaram juntos, mas espalhados pelos dois pavilhões da Arco no parque Ifema, o que foi uma boa escolha da direção. Ainda assim, a arte contemporânea russa não é instigante e se dilui naturalmente no cenário mais mediano internacional.

A Arco ainda destacou uma seção para a arte contemporânea latino-americana (o Solo Projects Latino America), que tem entre as curadoras a brasileira Luisa Duarte e os artistas nacionais André Komatsu, Thiago Rocha Pitta e Rafael Carneiro. É um dos nichos mais interessantes da feira, com destaque para o colombiano Felipe Arturo, da Galeria La Central, de Bogotá (também selecionado por Luisa Duarte).

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