Luciana Brito Galeria/Divulgação
Luciana Brito Galeria/Divulgação

Arco 2011 festeja 30 anos sob crise

Edição começa hoje em Madri com redução do número de galerias participantes

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

A Arco Madrid, uma das mais tradicionais feiras europeias de arte, realizada na capital espanhola, comemora agora 30 anos, marcando um movimento de transformação e ainda destaca as produções artísticas contemporâneas da Rússia e da América Latina. A edição de aniversário do evento hoje abre suas portas para visitação de colecionadores, diretores de instituições e imprensa; amanhã tem sua inauguração oficial com a presença dos membros da família real espanhola, os Príncipes de Astúrias; a partir de sexta-feira e até domingo, recebe o público em geral.

Desta vez, 190 galerias, espanholas e estrangeiras, participam da feira, abrigada em dois pavilhões da Ifema, complexo ferial da capital espanhola no Parque Juan Carlos I. Delas, 117 estão no chamado Programa Geral. Esta edição da Arco, sob a direção de Carlos Urroz - em substituição a Lourdes Fernández -, que optou pela redução do número de galerias - no ano passado, por exemplo, foram 218, de 25 países. A participação brasileira também é menor que anos anteriores: expõem na Arco 2011 apenas Dan Galeria, Luciana Brito Galeria, Galeria Millan, Galeria Vermelho (todas de São Paulo) e Ybakatu Espaço de Arte (de Curitiba).

Mas, ao mesmo tempo, o Brasil integra o comitê organizador da edição da feira, com a presença da galerista Luciana Brito na comissão, e uma das seções especiais do evento, a Solo Projects Latino America, tem a carioca Luisa Duarte no time de curadores e os artistas nacionais André Komatsu, Thiago Rocha Pitta e Rafael Carneiro exibindo suas obras.

Crise. Um dos maiores desafios da Arco 2011 é ocorrer em plena crise econômica na Europa, tendo a Espanha como um dos países mais afetados. No ano passado, também foi assim. "Mas muitos colecionadores que não compram durante o ano, continuam comprando obras na Arco. Nesse sentido, estamos confiantes de que possa ser um bom momento para a feira. Temos muitos convidados, inclusive, diretores de museus", diz Carlos Urroz ao Estado. "Estamos otimistas dentro da situação, que é difícil."

Mais ainda, a edição de 30 anos da feira, segundo o diretor do evento, foi realizada com orçamento de 3 milhões (recursos do governo espanhol e por meio de patrocínios) ante 7 milhões usados no ano passado.

"Feiras são mutantes", diz a galerista Luciana Brito, desde julho trabalhando no comitê da Arco. "É um evento tradicional e as instituições espanholas sempre adquirem obras na feira", continua Luciana, completando que, por exemplo, sua participação na Arco do ano passado reverteu em vendas de obra concretista de Geraldo de Barros para o Museu Reina Sofia de Madri, além de trabalhos de Regina Silveira para o Centro Galego de Arte Contemporânea e do fotógrafo Caio Reisewitz para o Museu de Arte Contemporânea de Castilla e León (Musac). "Há um movimento para transformar a Arco numa feira mais abrangente em termos mundiais, não tanto espanhola", afirma a galerista.

"A nova direção quer fazer voltar o prestígio da feira, os laços ibero-americanos", afirma a curadora Luisa Duarte. Além do segmento Solo Projects Latino America, a diretoria propôs para este ano a seção Opening, dedicada a galerias europeias novas (com menos de oito anos). Ao mesmo tempo, a Arco ainda promove uma série de mesas de debate.

Convidado. Na edição passada, a Arco homenageou Los Angeles, dando destaque para as galerias norte-americanas da região da cidade, e recebeu 180 mil visitantes. Desta vez, o país convidado é a Rússia - uma escolha estratégica porque, conta Urroz, 2011 é o Ano da Espanha na Rússia e da Rússia na Espanha. "Posso dizer que o país é um grande desconhecido quanto à arte e possui uma jovem geração de artistas que tem subido muito nos últimos cinco anos", afirma o atual diretor da Arco. "Há sempre um interesse por criadores de todos os países emergentes", continua Urroz. Participam, assim, oito galerias russas de Moscou, São Petersburgo e Vladvostok, além de instituições do país.

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