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Arcênico: ZéCelso 2.0 e a volta de Abelardo

Marcelo Drummond, a pedido de Zé Celso, planeja para 2017 a remontagem de 'O Rei da Vela', de Oswald de Andrade

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2017 | 02h00

Segunda-feira passada, por volta das seis da tarde, os atores do Teatro Oficina preparavam-se para mais um ensaio com vistas à reestreia da peça Bacantes neste sábado, 11. Poderia ser um ritual comum para eles mas, para nós, pobres mortais, não foi. Durante os 53 minutos seguintes, as pessoas que seguem a página do grupo no Facebook puderam assistir ao diretor e ator José Celso Martinez Correa dirigir seu elenco ao vivo. Logo no começo, repreendeu os atores, que cantavam em tom sério. “A coisa mais medíocre do teatro é o espírito de seriedade. Se levar a sério. Tem que debochar. Malandragem!”, estimulava. Resultado: até agora mais de 4 mil pessoas assistiram ao ensaio, comentaram e espalharam a transmissão ao vivo, que deve se repetir. “Nosso único problema são os nus. O Facebook proíbe, mas nas nossas peças são comuns”, diz o ator Marcelo Drummond. “Por isso, cortamos a transmissão na hora de ficarmos pelados”. Não é à toa. A página do Oficina já foi tirada do ar justamente por esse motivo há menos de um ano. Agora Drummond, a pedido de Zé Celso, planeja para 2017 a remontagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade. E já tem boa notícia na área: o ator Renato Borghi, protagonista da montagem original, já topou a parada e volta ao Oficina. “O Tropicalismo completa 50 anos e não tem forma melhor de comemorarmos a data”, diz Drummond.

PRIMEIRA VEZ DO HÚNGARO

O Planeta Tá um Lugar Perigoso é a estreia do autor húngaro László Garaczi no País, até então inédito. O título tem uma certa semelhança, na construção e no sentido, com a famosa frase de Albert Einstein: “O mundo é um lugar perigoso de se viver”. Mas vá lá, coincidências à parte. Com direção de Kiko Marques, a história mostra um rapaz que passa dos 7 aos 40 anos de idade com reações esquisitíssimas ao dizer a frase “eu te amo” - coisas como fazer caretas, se contorcer todo e começar a balir como um carneiro. A família recorre a um psicanalista, que usa a hipnose progressiva para tirar o miserável daquela situação. O resto é surpresa para você, caro leitor. 

Nascido em Budapeste, Garaczi ganhou alguns prêmios com a peça, escrita em 2010, o que o levou a diversos países da Europa como escritor convidado, sempre em troca de produzir novos textos. 

O elenco brasileiro é encabeçado por Leonardo Miggiorin e tem ainda João Bourbonnais, Andrea Tedesco e Frida Takáts, também produtora da peça e idealizadora do projeto, que tem trilha sonora assinada por André Abujamra. A estreia é dia 8 de março no Teatro Augusta com sessões às quartas e quintas.

ATUAÇÃO ARRASADORA 

A moça aqui à direita voltou ao cartaz com a peça Cenas de uma Execução, de Howard Barker. Ela é Galactia, pintora consagrada, convidada pelo Doge de Veneza a retratar a Batalha de Lepanto (1571), uma das mais sangrentas da história e símbolo da vitória dos cristãos contra os otomanos. Está no Espaço Parlapatões até 5 de março. Se não viu, não perca. Clarisse é espetáculo à parte.

NA FOLGA, ELE TRABALHA 

Carcarah, ator no melhor (e pior) estilo bad boy do teatro Cemitério de Automóveis, tem revelado aos poucos sua verve de artista plástico. Terça, 14, à noite, tem exposição de suas obras em ecoline, nanquim e aquarela nas paredes do teatro. Sócio de Mário Bortolotto, Carcarah protagonizará em abril a peça True West, de Sam Shepard.

Clarisse Abujamra Começou a carreira como bailarina e estudou com Martha Graham em Nova York.

1. Peça que foi uma revelação.

Nove Partes do Desejo, de Heather Raffo. Refez meu desejo de estar no palco com assuntos que afetam o mundo e a cada um de nós. Era sobre as mulheres iraquianas frente à guerra, escrita e encenada na época em que a guerra EUA-Iraque horrorizava o mundo.

2. Uma situação inusitada.

Caí fora do palco do Teatro Ruth Escobar. Para minha sorte o palco ficava a poucos centímetros do chão! 

3. Como gostaria de morrer em cena?

Fazendo uma maravilhosa comédia! Morreria em paz.

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