Alexandre Inserra
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João Wady Cury
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Arcênico: Rouxinóis sobrevoam São Paulo

'Inferno – Um Interlúdio Expressionista', versão brasileira de 'Not About Nightingales', de Tennessee Williams, estreia em 30 de agosto; 'Roda Viva' reestreia dia 2

João Wady Cury, Impresso

25 de julho de 2019 | 02h00

Rouxinóis sobrevoam São Paulo

Após participar de uma greve, um grupo de presos é punido com enclausuramento em um quarto e submetido a vapores em alta temperatura. Quatro deles, como animais em um forno de cozinha, morrem assados e outros tantos ficam gravemente feridos. Baseado nesse fato, ocorrido em 1928 em uma penitenciária da Pensilvânia, o dramaturgo Tennessee Williams (1911-1983) escreveu Not About Nightingales. Agora, os rouxinóis do dramaturgo norte-americano estão sobrevoando a cidade: a nova montagem estreia 30 de agosto no Teatro João Caetano, na Vila Mariana. E atende pelo singelo título de Inferno – Um Interlúdio Expressionista. O elenco de 40 atrizes e atores é dirigido por André Garolli.

PENEIRA ARTÍSTICA 

Inferno vem demandando de Garolli quase um ano de trabalho, iniciado com uma série de oficinas e palestras até chegar à estreia. Em seguida, foi feita uma peneira com o grupo inicial de artistas, cerca de 250 pessoas, até chegar ao elenco final de 40 atores e atrizes, encabeçados por Camila dos Anjos, Fernando Vieira, Fabrício Pietro. “Neste grupo, temos os profissionais e uma galera iniciante, recém-formada, que forma o coro da peça”, conta o diretor. Inferno, depois de cumprir temporada no João Caetano, segue carreira pelos CEUs, casas de cultura até chegar ao Teatro Viga. Uma curiosidade: apesar de escrita há quase 100 anos, os originais do texto foram encontrados somente há 20 anos por pura obstinação da atriz Vanessa Redgrave – que acabou conduzindo a primeira montagem em 1998 no Teatro Alley, em Houston. 

 

SIM, TEM AMORZINHO 

Não é só de violência e ódio que vive o homem de Tennessee Williams em Not About Nightingales. Tem amor, também, um amorzinho leve e meigo, mas que garante um respiro em meio a tanta atrocidade contra os desvalidos. 

  

SURFANDO NO FESTIVAL

Na onda da peça de Williams, o diretor André Garolli participa como um dos representantes brasileiros, em setembro, do Tennessee Williams Theater Festival, na cidade de Provincetown, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. Viaja a convite do festival com outro especialista na obra do dramaturgo, o professor Luis Marcio Arnaut, da Escola de Arte Dramática (EAD), da USP. 

RODA VIVA 70 

Lá vem outra vez Roda Viva, de Chico Buarque, no Teatro Oficina. Quando reestrear em 2 de agosto, o grupo de José Celso Martinez Correa completará a apresentação de número 70 desta montagem, desde a estreia no Sesc Pompeia, em 6 de dezembro do ano passado. Foram quatro apresentações no Sesc e, em seguida, a companhia levou a peça para casa e, desde aquele dia 23 de dezembro, o elenco não parou mais de exibi-la. Todas as apresentações foram feitas com casa cheia, o que significa público, em média, de 300 pessoas. Puxando pela memória, Camila Mota, atriz do Oficina, não se lembra de uma peça da trupe com lotação total em todas as sessões: “Nem Hamlet, nem Os Sertões e nem Cacilda foram sucesso como está sendo Roda Viva”. E avisa: não deve parar tão cedo.

3 perguntas para... Bete Coelho

Atriz, se não fosse artista, seria freira

1. Por que teatro?

Porque o teatro coloca a vida em perspectiva e nos 

mostra a real dimensão do tempo e do espaço.

2. Com qual personagem de teatro você se parece?

Julieta ao amar, Medeia ao ser traída e Antígona na justiça.

3. Como gostaria de morrer em cena?

De morte encenada.

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