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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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ArCênico - Rio recebe 'As Mil e Uma Noites'

Espetáculo estreia no Oi Futuro Flamengo no dia 29 de junho

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2018 | 02h00

Teatro, das artes, é o que tem maior capacidade imediata de reagir com vigor aos impulsos do cotidiano. Das dores do coração às injustiças da vida, o palco grita. Esta voz poderá ser ouvida na estreia de As Mil e Uma Noites, dia 29, no Oi Futuro Flamengo. É a própria história levada por Sherazade, misturada aos relatos de refugiados árabes no Rio e o Brasil de Michel Temer. Poesia e náusea

CINCO SHERAZADES

A montagem é dirigida por Leandro Romano e inova sob vários aspectos. Tem 500 páginas de dramaturgia, construída a partir da obra traduzida diretamente do árabe por Mamede Mustafa Jarouche (Editora Globo), traz cinco atrizes revezando-se na pele da personagem Sherazade e não para por aí. A peça será, na verdade, 33 peças pois serão apresentações únicas: a cada sessão uma nova história. “Esse modelo que criamos mostra a urgência para Sherazade, que conta histórias porque não quer morrer, e para os refugiados árabes no Brasil”, diz. “Ambos têm a palavra e sua história como força de sobrevivência.” As Mil e Uma Noites fica em cartaz de sexta a domingo até 9 de setembro.

TEATRO INTIMISTA

O ator Clovys Torres passou por 15 cidades com Me Dá a Tua Mão, dirigida por Amir Haddad. Agora pode ser visto novamente na cidade em um lugar inusitado: a sala de um hotel nos Jardins (Pimenta Roma - Sala Orquidário), de sábado a segunda. Tudo a ver. Torres conta uma história de amor que merece a proximidade do espectador nas poucas cadeiras da sala. É fruto da pesquisa com idosos sobre vida e memória. Beleza pura.

SEMPRE AS RELAÇÕES

Também amor e relacionamento são os temas de A Porta da Frente, peça de Julia Spadaccini, dirigida por Marcelo Varzea, com Sandra Pêra e Roney Facchini no elenco. Mas sem lirismo, aqui é o lado ácido e jocoso da vida a dois e seus familiares, pessoas que são conflitos sobre pernas.

ELA É DOS SATYROS

Nicole Puzzi engajou-se no grupo Satyros e estreia dia 27 a peça Transex sobre o amor entre dois transexuais. Sua personagem remonta a seu próprio passado, quando fazia pornochanchadas. O espetáculo homenageia também a atriz transexual Phedra de Córdoba (1938-2016), com intervenções das atrizes Paula Cohen e Cléo de Páris.

ENTREVISTA - Magali Biff - Atriz e diretora, gosta de ler em frente ao mar

1. Por que teatro?

É a síntese da complexidade humana e da vida.

2. Frase arrebatadora?

"Sempre dependi da bondade de estranhos", da personagem Blanche, em O Bonde Chamado Desejo.

3. Como gostaria de morrer em cena?

Sem a queda abrupta de meu corpo, suave e imperceptível, deitada ou sentada num cantinho do cenário.

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