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Palco, plateia e coxia
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Arcênico: Oficina devora um Martinez

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João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2017 | 05h00

Mal o inverno começou e a noite mais longa do ano, este sábado, guarda a estreia da nova versão de Macumba Antropófaga, do Teatro Oficina. A montagem celebra 67 anos de nascimento do diretor e ator Luis Antônio Martinez Corrêa, assassinado em dezembro de 1987. Na peça, seu irmão, José Celso, encarna Luis Antônio, que é devorado em um banquete antropofágico. Mas, bem ao estilo do Oficina, a peça terá também Donald Trump, Theresa May, Temer, a CPI da Funai ao lado de Macunaíma (Roderick Himeros), Oswald de Andrade (Marcelo Drummond), Tarsila do Amaral (Letícia Coura) e Pagu (Camila Mota). E tem outra nova: a estreia de uma impagável audiodescrição para deficientes visuais.

MAIS LAMA DE MARIANA 

As marcas da tragédia de Mariana, em Minas Gerais, em 2015, estão mais presentes do que nunca e é no palco que se revelam. Depois de Hotel Mariana, em cartaz na Estação Satyros, com direção de Herbert Bianchi, uma nova montagem estreia na cidade. Trata-se de Os Atingidos ou Toda Coisa que Vive é um Relâmpago, que mistura recursos teatrais e cinematográficos para contar a história mal contada. Estreia em 8/7, na SP Escola de Teatro, e terá sessões de sábado a segunda, até 30/7. A direção e a dramaturgia são de José Fernando Peixoto de Azevedo, professor da Escola de Arte Dramática, da USP, com elenco da Ordinária Companhia. A pergunta que não quer calar está na boca de uma das atrizes e resume a busca da montagem: “Isso aí foi o que, uma tragédia, um acidente, desastre ou crime? 

LEITURA VITAMINADA 

Há 11 anos, o Sesc realiza o ciclo 7 Leituras, 7 Autores, 7 Diretores. A edição deste ano tem como foco a Revolução Russa de 1917 e, de quebra, homenageia um dos principais tradutores para o português, direto do russo, o professor Boris Schnaiderman, falecido há um ano. Concebido e dirigido por Eugênia Thereza de Andrade, o ciclo trará ao Sesc Consolação, na terça, 27, às 19h30, a leitura de As três irmãs, de Chekhov, com direção de Mika Lins e, no elenco, Carlos Meceni, Lucienne Guedes, Marcelo Galdino, Bel Kowarick e outros. A leitura se repete dia 28, às 20h, no Sesc Osasco. Mas não se trata de uma leitura simplesmente, mas sim de uma (quase) encenação teatral: cada diretor cria a ambientação cenográfica, a marcação de cenas, define os elementos de figurino, a trilha e a iluminação. Uma senhora leitura.

INVESTIGA E CHAFURDA

Seguindo a tradição de vários grupos paulistanos mais novos, o Pequeno Teatro de Torneado estreia nova montagem, Do Ensaio para o Baile, sobre o sistema educacional do Estado de São Paulo a partir das ocupações de escolas públicas e o colapso do ensino. Com direção de William Costa Lima, a estreia está marcada para 7/7 na sede da Funarte paulistana, na Barra Funda. A peça é a primeira da trilogia chamada Colapsos Institucionais, nova linha de pesquisa do grupo, que já prevê para 2018 a estreia de Incandescente, sobre as instituições hospitalares nos anos 2000 e, em 2019, Acassiopeia, que trata dos presídios. Vale lembrar que o grupo foi indicado para o Prêmio Shell de Teatro em 2015 na categoria Inovação, já que se dedica à formação de jovens na linguagem teatral.

3 PERGUNTAS PARA

Leonardo Miggiorin

O ator gostaria de ser psicólogo 

1. O que é ser ator?

Reinventar-se a cada dia, buscando a própria identidade.

2. Lembre de uma situação inusitada que aconteceu em cena.

No papel de Romeu, tomei veneno, e, quando ‘morri’, cochilei e ronquei.

3. Qual peça você sugeriria para o fim de semana.

Sínthia, no Instituto Cultural Capobianco.

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