Rodrigo Baroni
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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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ArCênico: O Estado como rolo compressor

As últimas informações do mundo do teatro

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2018 | 02h00

O escritor, ativista de oposição ao governo vigente, recebe em sua casa a visita de um homem. Acredita - e está praticamente conformado - que será preso, mas a situação é bem pior. Trata-se de um carrasco e sua intenção é fatal. Diálogo Noturno para Um Homem Vil traz novamente à cena a imagem de um Estado opressor, que cala seus opositores com violência e morte. A peça, escrita pelo dramaturgo austríaco Friedrich Dürrenmatt, estreia dia 16 de março no Sesc Ipiranga, com Ailton Graça e Celso Frateschi no elenco. “É uma situação de tensão permanente”, diz o diretor Roberto Lage. “E a peça é perfeita para este momento que vivemos.”

BOMBAS E REVOLUÇÃO

Não para todos, claro, mas uma boa causa justifica uma vida explosiva - ainda que se pague por isso. Foi assim com o ativista irlandês Roger Casement, revolucionário pela independência de seu país e que passou pela Amazônia. Teve atuação fundamental por conta de suas denúncias sobre os abusos a que eram submetidos índios e negros, trabalhadores na extração de borracha. A história de Casement vai ao palco de quarta a sexta da semana que vem no teatro do O’Donoghue Centre of Drama, da Nacional University of Ireland Galway, em Galway, na Irlanda. Quem leva a montagem é a companhia Ludens e a peça é As Duas Mortes de Roger Casement. A mesma montagem já passou por São Paulo e agora segue para a Irlanda conhecer o seu herói. Claro, para alguns, herói, mas como tudo na história há versões. E o império britânico preferiu considerá-lo traidor sob a acusação de homossexualismo e executá-lo há 102 anos. No elenco estão Bruno Perillo, na pele de Casement, e Anna Toledo, no da ativista irlandesa Alice Milligan. É uma peça com números musicais e tem direção de Domingos Nunez.

CERCO E AFLIÇÃO

Na salinha propositalmente asfixiante e intimista do Sesc Ipiranga, chamada Teatro Mínimo por conta de suas dimensões, estreia nova peça dia 9 de março. Chama-se Nomen e leva ao palco o texto de Bruno Feldman, com direção de Alex Araújo, com a história de uma filha e de um pai, vividos por Carolina Erschfeld e Dawton Abranchesé vivendo um momento de dilúvio e perseguição. Sim, parece algo sem saída, a situação é complexa, mas somente o teatro salva.

É HOJE, PODE CORRER 

Lauro Cesar Muniz é um dos grandes dramaturgos brasileiros ainda em atividade. São dele peças como O Santo Milagroso e A Morte do Imortal. E também como roteirista de televisão, autor de novelas de sucesso como O Casarão, Transas e Caretas e O Salvador da Pátria. Tudo isso para dizer que é imperdível assistir, hoje, às 19h, o papo sobre escrita e dramaturgia na escola de teatro Célia Helena. Sim, corra!

3 PERGUNTAS PARA DANILO GRANGHEIA - ATOR, SERIA ASTRONAUTA

1. Frase arrebatadora?

"O trabalho é o vício dos que não servem pra outra coisa." Na peça Terrenal, do dramaturgo argentino Mauricio Kartun.

2. Uma situação inusitada no palco?

Cancelar o segundo ato de um espetáculo porque o público resolveu fugir no intervalo.

3. Como gostaria de morrer em cena?

No meio de uma frase reveladora do tipo: "Eu sou o seu pai".

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