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João Wady Cury
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ArCênico: ICC abre residência teatral 2018

Quem inaugura o processo é o dramaturgo norte-americano Tennessee Williams

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2018 | 02h00

Demorou, mas chegou. Depois de quase um ano de espera, o Instituto Cultural Capobianco abre em setembro sua primeira residência teatral patrocinada pela Lei Rouanet. E quem inaugura o processo é o dramaturgo norte-americano Tennessee Williams (1911-1983). O diretor e ator Marco Antônio Pâmio vai dirigir a montagem de A Catástrofe do Sucesso, com Camila dos Anjos e Ricardo Gelli no elenco. A residência inclui todo o processo de montagem da peça, criação de cenários e figurinos durante quatro meses e, em seguida à estreia, três meses de temporada no próprio ICC. A peça carrega o nome do ensaio escrito por Williams em 1947, que será a base da dramaturgia, além de três peças curtas.

CATÁSTROFE É POUCO

O texto de Williams que batiza a montagem de Pâmio, escrito em 1947 e publicado no New York Times, veio a reboque do sucesso de sua peça mais famosa, Um Bonde Chamado Desejo, escrita no mesmo ano. Não foi pouco. Levou para casa o Pulitzer em 1948 e, não bastasse, atingiu os píncaros da glória em Hollywood, 1951, com o filme homônimo estrelado por Marlon Brando e Vivien Leigh. Pancada insuportável para um humano médio que havia trocado anos antes o nome Thomas Lanier por Tennessee. O texto merece leitura por retratar tão bem o sonho de Cinderela do americano médio que, do dia para a noite, passa de um desesperado escritor vivendo em miséria a celebridade de um mundo bizarro. Enfim, vida de artista, tudo é possível. A peça trará outros dois textos curtos de Williams: Mister Paradise e Fala Comigo Como a Chuva.

COLAR DE PÉROLAS

As temporadas teatrais, raríssimas exceções, são curtas, limitadas a um mês de apresentações de dois a três dias por semana, se tanto. Peças boas perdem-se no tempo e, ainda bem, também as ruins para compensar tamanha injustiça. Mas há uma vingança em curso: a sessão das segundas-feiras do teatro da Biblioteca Mário de Andrade, sempre às 19h, virou refúgio de revivals de temporadas passadas. Este semestre traz pelo menos três montagens de qualidade voltam à cena: em agosto, Quarto 19, com Amanda Lyra; em outubro estará de volta a peça Hotel Mariana, de Munir Pedrosa e Herbert Bianchi, sobre a tragédia da cidade mineira ocorrida em novembro de 2015 e, em novembro, Medea Jeje, com Kenan Bernardes.

PIQUENIQUE NO FRONT

Dias 1.º, 15 e 29 de setembro o quintal do Sesc Ipiranga recebe três leituras encenadas de peças durante piqueniques. A ideia é homenagear o Teatro de Arena e seus criadores. Os diretores Marcos Felipe, Marco Antonio Rodrigues e Celso Frateschi dirigirão leituras de peças capitais do movimento: Revolução na América do Sul (1960), Eles Não Usam Black-Tie (1958) e Chapetuba Futebol Clube (1959).

3 PERGUNTAS PARA ISABEL TEIXEIRA

Atriz e diretora, diz que vive no reino da dúvida

1. O que é ser atriz?

Não sei, não me considero atriz.

2. Com qual personagem se parece?

Como todos que ficam à margem da cena, fora do centro.

3. Como gostaria de morrer em cena?

Fora de cena. Tirando os sapatos. Sem alarde. Como minha bisavó que morreu de repente quando foi pendurar um lencinho no varal. Simples assim.

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