Iara Morselli/Estadão
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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Arcênico: Estrelas cadentes em São Paulo

Sarah Brown dará um workshop para 20 alunos sobre monólogo e como construí-lo dramaturgicamente

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2017 | 02h00

São Paulo, mas quem ganha é você. A atriz americana Sarah Brown chega à cidade no fim do mês para uma apresentação exclusiva e inédita do seu monólogo Shooting Stars in Jordan (Estrelas Cadentes na Jordânia).

Brown estudou Drama em Yale e hoje é professora de Interpretação na Universidade de Memphis, nos Estados Unidos. É considerada uma das boas especialistas americanas em monólogos. A peça terá uma única apresentação no Teatro Gazeta, em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e parte da renda vai reverter para a seção Mulher da Organização das Nações Unidas (ONU). 

O texto é da própria Sarah Brown, inspirado em uma série de fatos ocorridos durante uma viagem à Jordânia, a Israel e Amã anos atrás. A direção é de Karen Carpenter (calma, amigos, ela é homônima da vocalista do dueto Carpenters, morta em 1983). Karen também dirigiu um dos maiores sucessos da Broadway dos últimos 10 anos, Love, Loss, and What I Wore, de Nora Ephron e sua irmã Delia. 

Mas, aguarde, o melhor está por vir: Brown dará um workshop para 20 alunos sobre monólogo e como construí-lo dramaturgicamente. Tem estrela cadente para todos. 

DESMESURADAMENTE: COPI

Raúl Natalio Roque Damonte Botana pode passar batido por sua memória tão claudicante, mas não o apelido meigo e singelo: Copi. Argentino de nascimento, era um azougue: cartunista, caricaturista, dramaturgo, novelista. Não é pouca coisa. Tanto é que, lentamente, tem sido inspiração, no Brasil, para montagens de peças suas e inspiradas em sua vida. Como é o caso de Desmesura, baseado em Copi. O espetáculo chega ao palco do Centro Cultural São Paulo pelas mãos do Teatro Kunyn, em abril, escrita por Ronaldo Serruya, também no elenco, e direção de Luiz Fernando Marques, ambos integrantes do Grupo XIX de Teatro. Ainda jovem, Copi tratou de deixar Buenos Aires e rumou a Paris. Não demorou a acertar a mão: juntou-se ao espanhol Fernando Arrabal, ao chileno Alejandro Jadorowsky e ao francês Roland Topor no grupo Teatro Pânico nos anos 60. Por trás da vida de Copi, há dois temas que caminham juntos na peça: transexualidade e soropositividade - o dramaturgo morreu em decorrência de complicações provocadas pelo HIV nos anos 80. Uma pitada do que era Copi, ao saber que era soropositivo: “Sou tão vanguardista que a doença me atacou primeiro”.

 

LUIS LOBIANCO É GISBERTA

Quarta-feira de Cinzas, dia 1.º de março, estreia a nova montagem de Luis Lobianco no CCBB, no Rio. E não é para rir. Você pode ter se acostumado às aparições engraçadas do ator no Porta dos Fundos. Mas essa é uma boa chance de conhecer o lado dramático de Lobianco, que já atuou em mais de 30 peças. Ele está no monólogo sobre a vida da brasileira Gisberta, vítima da transfobia no Porto, em Portugal, depois de ter sido torturada durante sete dias por um grupo de 14 adolescentes. Gisberta tem texto de Rafael Souza-Ribeiro e direção de Renato Carrera. 

‘CARNE MATA’ OU ‘MATA CARNE’

Certamente por excesso de emoção com a estreia da coluna o signatário trocou os papéis. Ou melhor, os livros. A editora Cobogó lança a peça Mata Teu Pai em livro e não Vaga Carne, como publicado na semana passada. Ambos os textos são de autoria de Grace Passô e estão em cartaz em São Paulo e no Rio. 

3 PERGUNTAS PARA CACO CIOCLER

1) Como gostaria de morrer em cena? 

Do jeito mais dramático possível. Que graça teria morrer dormindo em cena? Sei lá, talvez picado por um escorpião venenoso que fizesse com que os músculos fossem enrijecendo muito lentamente. Talvez ganhasse prêmio se babasse bastante. 

2) Com qual personagem de teatro você se parece?

Com todos. Cada personagem exige de mim uma ginástica de determinados grupos de musculatura emocional.

3) O que assistir este fim de semana no teatro? 

Vou assistir a Leite Derramado.

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