Maria Tuca Fanchin
Maria Tuca Fanchin

ArCênico: Estreiam novos Payne e Anders

E mais: a peça 'Tom na Fazenda' será exibida no Canadá

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 02h00

Quem somos, para que servimos, por que não podemos mudar de lugar. Perguntas ancestrais e angústia absoluta em forma de duas peças de dois dramaturgos ingleses da geração entre 30 e 40 anos. Lampedusa, de Anders Lutsgarten, e Incógnito, de Nick Payne, estreiam nos dias 31 de maio e 7 de junho, respectivamente, para quatro apresentações cada no Festival Cultura Inglesa. Lampedusa vai ao palco com a Cia do Instante e fala sobre a vida de duas pessoas diante da corrente migratória africana para a Europa. Dirigida por Lucas Brandão, Incógnito traz um Nick Payne preocupado com questões de identidade do ser. Papo-cabeça do bom.

DRAMATURGIA PAIRANDO NO CÉU DA CIDADE

Tem nome fofo, sintético e diz a que veio: Dramaturgias. Nasce a partir de junho - 8 a 17 - um mergulho na dramaturgia brasileira em forma de evento com ateliês dramatúrgicos, leituras de peças e - possivelmente um dos pontos mais importantes - discussões sobre os temas urgentes a serem levados aos nossos palcos e a formação de novos dramaturgos. Participam do encontro, que foi criado e será abrigado no Sesc Ipiranga, as autoras Claudia Schapira, Dione Carlos, Grace Passô, Maria Shu e Michelle Ferreira, e, dentre os rapazes, Alexandre Dal Farra, Jo Bilac, Newton Moreno, Roberto Alvim, Sérgio Roveri e Samir Yazbek. Coisa de gente grande. O Dramaturgias terá ainda rodas de conversas, ateliês criativos, leituras cênicas, performances, espetáculos, maratona de entrevistas com dramaturgos e uma feira de publicações em dramaturgia. O estímulo à publicação de textos teatrais é um dos eixos do encontro.

CRIADOR E CRIAÇÃO: PEDRO KOSOVSKI VEM AÍ

Na paralela a Dramaturgias e praticamente uma prova viva do que é ser autor teatral, se inicia o Ciclo Pedro Kosovski, dramaturgo carioca da nova geração que apresentará na cidade três peças inéditas por aqui: a encenação de Laio e Crísipo, a leitura de seu primeiro texto teatral Cara de Cavalo e a sua última montagem, em cartaz no Rio, Tripas, monólogo com seu pai em cena, Ricardo Kosovski e que marca a estreia do autor na direção. Duas de suas montagens já passaram por São Paulo, recentemente: Guanabara Canibal e Caranguejo Overdrive - estas duas, com Cara de Cavalo, fazem parte da trilogia sobre a história do Rio de Janeiro.

TOM NO CANADÁ EM JUNHO

Tom na Fazenda, um dos grandes sucessos no Rio desde o ano passado, vai parar a temporada dentro de uma semana por um bom motivo. O elenco foi convidado para apresentar a montagem no FTA - Festival TransAmériques, no Canadá. Serão três apresentações no Maison Théâtre, em Montreal, de 1.º a 3 de junho. A peça é do canadense Michel Marc Bouchard, tem como protagonistas Armando Babaioff e Gustavo Vaz (prêmio Shell de ator) e deve vir a São Paulo ano que vem. O diretor Rodrigo Portella também levou o Shell, em direção.

A GUERRA VEM DA HOLANDA 

O FTA tem seu ídolo de carteirinha. Atende pelo nome de Ivo van Hove, um dos mais celebrados diretores europeus. Van Hove chega armado de sua máquina de guerras: a montagem de Kings of War, em que sobem ao palco sangue e horror com forma definida nas figuras shakespearianas de Henry V, Henry VI e Richard III. Will deve estar se regozijando na tumba.

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