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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Arcênico: Dramaturga estreia primeiro texto

Um apanhado sobre o universo do teatro

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2017 | 02h00

Está prestes a surgir uma nova dramaturga. Carol Pitzer é o nome dela. Vivia no Rio, mas há dois anos mudou-se para São Paulo para estudar dramaturgia e de cara deu duas tacadas certeiras. Foi aceita na SP Escola de Teatro como aluna e no Núcleo de Dramaturgia do Sesi. O resultado do seu primeiro trabalho poderá ser visto em dois meses, no Sesi, com a encenação de seu primeiro texto, o monólogo Enquanto Ela Dormia. É tema da moda, abuso sexual, mas por isso mesmo imprescindível. “Consegui escrever sobre um assunto tão fundamental com paixão, que é a única forma que sei fazer”, diz. A montagem terá direção de Lili Monteiro, do Teatro da Vertigem, e, no palco, Lucienne Guedes.

MAIS POLÊMICA À VISTA

Publicada na coluna há um mês, a entrevista do diretor Cacá Rosset (“O teatro vive hoje uma anemia criativa, um processo de ‘motelização’”) provocou a indignação do empresário e diretor teatral Isser Korik, do Teatro Folha. Por ‘motelização’ entenda-se grande quantidade de peças em um mesmo teatro com temporadas curtíssimas cada uma delas e em dois ou três dias da semana. Korik argumenta que, empresarialmente falando, o negócio do teatro mudou. “Cacá Rosset usou um termo ofensivo e precisa entender que não estamos mais no tempo do TBC, quando as peças ficavam em cartaz seis dias por semana. Nosso teatro está em um shopping center, precisamos atender a diversos tipos de públicos diferentes”, explica Korik. “Temos peças para adultos, jovens, adolescentes e crianças, de todos os tipos, das comédias e dramas aos musicais. Não é à toa que estamos aqui há 17 anos e com sucesso.” Ao mesmo tempo, Korik admite que algumas peças acabam permanecendo pouco tempo em cartaz, por volta de um mês, justamente por não conseguirem emplacar junto ao público, mas que isso ocorre em vários outros espaços. E destila sua mágoa com o diretor. “Em vez do Cacá ficar reclamando dos teatros, deveria fazer novas peças. Há oito anos não vemos nenhuma nova montagem dele”, alfineta o empresário, referindo-se ao espetáculo de 2009, A Megera Domada.

REPERTÓRIO EM CENA

O Club Noir (Rua Augusta, 331) leva até o dia 6 de junho uma mostra que vale ser vista. São duas peças do repertório da companhia do casal Juliana Galdino e Roberto Alvim. Às segundas-feiras, 20h, Juliana interpreta uma serial killer em Anátema, escrita e dirigida pelo marido. Às terças, ela é um macaco que conta como foi capturado e humanizado, no texto de Franz Kafka Comunicação a Uma Academia, também direção de Alvim. 

CAPOBIANCO EM PAPEL

Uma publicação vai registrar os 15 anos do Instituto Cultural Capobianco e a história dos principais projetos que passaram pela entidade. Teatro, claro, é o tema central. O editor da obra é Antonio Martinelli, que convidou gente de teatro para escrever ensaios: os diretores Kiko Marques, Rafael Gomes e Cibeli Forjaz, o dramaturgo espanhol José Sanchis Sinisterra e o brasileiro Vinicius Calderoni, o ator Luciano Chirolli e a atriz Denise Weinberg. Coisa fina.

3 PERGUNTAS PARA VIRGINIA CAVENDISH - Atriz, nas folgas e estuda piano

1. O que é ser atriz?

Fazer turismo dentro de mim mesma. Ter uma constante montanha-russa nas veias.

2. Qual peça foi uma revelação?

Hedda Gabler. Queria fazer a minha vida inteira, é uma aventura, um vício, covardemente linda.

3. Frase favorita.

“Eu poderia viver recluso dentro de uma casca de noz e me sentir o rei do espaço infinito, se não tivesse maus sonhos”, Hamlet.

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