João Caldas Filho
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ArCênico: Bernardet estreia no teatro

Tem também a estreia de 'Cabaret Trans Peripatético', a primeira montagem dos Satyros em que o elenco é inteiramente formado por artistas trans, agêneros e não binários

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2018 | 02h00

A inquietação não permite que ele pare. Certamente, de pensar. Daí, como ação involuntária, reinventa-se. Jean-Claude Bernardet, 82 anos, foi um dos professores históricos de Cinema na USP e, desde sua aposentadoria, dá continuidade à vida de roteirista e já atuou em 10 filmes como ator. Agora parte para sua primeira direção teatral, em parceria com Rubens Rewald. “Acho que é a forma como concebo a longevidade”, diz. A paixão pelo texto do dramaturgo francês Michel Vinaver deu uma mãozinha, A Procura de Emprego. Assumindo ansiedade incontida, Bernardet vê a peça estrear em 4 de maio, no Sesc Santo Amaro, com Magali Biff, Eucir de Souza, Fernanda Viacava e Bianca Lopresti no elenco.

CUTUCADA DO DOGMA

Bella é a princesinha das novelas das nove e bombshell na mídia, atriz casada há 21 anos com um cineasta de família quatrocentona, reconhecido no Brasil e fora dele, mas entrevado por conta de um AVC - não bastasse o miserável é bem mais velho que o pitéu televisivo. Junte-se a isso um amante para ela e coloque São Paulo como pano de fundo. Tudo isso tem nome: Ninguém Abandona o Paraíso pela Porta da Frente (editora Quelônio), primeiro romance da atriz Helena Cerello, da companhia La Plat du Jour. Retrata humanos no limite, aliás, como a maioria, que quer ser mais e viver para sempre. A história narrada em tom acelerado e cáustico nasceu há dez anos quando Helena participou de um documentário produzido pelo cineasta dinamarquês Lars von Trier. “O livro nasceu há dez anos quando assisti ao filme e fiquei com a sensação de ter sido usada como objeto - eu aparecia nua lendo um livro em uma situação que sugeria o momento seguinte a uma transa. E isso me incomodou”, conta. O incômodo em forma de livro será lançado em 26 de maio no teatro Cemitério de Automóveis.

A BAHIA É AQUI

Criado em forma de auto, Nego Fugido é o espetáculo que nasceu pelas mãos de pescadores da comunidade quilombola de Acupe, na cidade de Santo Amaro da Purificação, Bahia, há mais de 100 anos. Uma pérola da cultura popular. Desde então é apresentado na cidade como parte da comemoração da libertação dos escravos no País. Este ano, a encenação será feita em São Paulo pelo mesmo grupo um dia antes do 13 de maio, na Bela Vista (na Rua Lourenço Granato), sede do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. A entidade preparou uma série de eventos entre maio e junho, com cursos, palestras, bate-papos, debates, exibição de filme e lançamento de livro, para a data. Mais informações no site: http://sescsp.org.br/CPF

LEITURAS A MANCHEIA 

As leituras dramáticas continuam pululando na cidade, sinal de que o fôlego para novas peças aumentou. Dia 22 de maio, o projeto Cena 10 de leituras dramáticas, que ocorre mensalmente no Teatro Augusta, terá o ator e diretor Marco Antônio Pâmio na direção da peça Maioridade, de Flavio Goldman, com elenco encabeçado por Clara Carvalho. No final da leitura o dramaturgo Denio Maués, coordenador do Cena 10, mediará um debate sobre a peça.

ELENCO CISTUDO

Cabaret Trans Peripatético é a primeira montagem dos Satyros em que o elenco é inteiramente não cisnormativo, formado por artistas trans, agêneros e não binários. Estreia dia 4, no teatro dos Satyros.

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