J. Carlos/Acervo Estadão
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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Arcênico: A eternidade em 80 anos

Hoje é o dia de José Celso Martinez Correa

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

30 Março 2017 | 02h00

Hoje é o dia de José Celso Martinez Correa, que completa 80 anos de vida e comemora hoje em Bacantes no Oficina. Desde que fundou o grupo aos 22 anos - veja mais detalhes ao lado -, José Celso firmou-se como um dos maiores encenadores brasileiros de todos os tempos, para dentro e para fora do teatro. Sua participação não se resumiu ao palco: foi grande sua influência no Tropicalismo, ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil, e outros movimentos artísticos. Ainda hoje, sua maneira de encenar peças é algo único e carrega consigo o DNA de quase 60 anos de vivência teatral e pesquisa. Não é pouco em um país em que grupos têm vida curta e a cultura claudica. Viva José Celso Martinez Correa!

O DIREITO ATROPELADO PELA VIDA NO TEATRO

A nota à esquerda foi publicada na edição do Estado do dia 11 de outubro de 1958, um sábado, e é um flagrante: a semana em que José Celso Martinez Correa funda o grupo Oficina de teatro amador aos 22 anos, ainda na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O objetivo do novo grupo era encenar “peças de autores inéditos brasileiros, obras de vanguarda e poemas vocalizados”. Duas semanas depois, o próprio Estado anuncia as duas primeiras montagens do grupo, direção de Amir Haddad e José Celso Martinez Correa: A Ponte, de Carlos Queiroz Telles, e Vento Forte Para Um Papagaio Subir, de José Celso. O Oficina, com 59 anos de vida, é possivelmente o grupo mais longevo em atividade do teatro brasileiro e ainda tem um de seus fundadores à frente do grupo. Não é pouco. Mas, como bom artista que é, José Celso não para de sonhar.

 

Quer levar Bacantes para Brasília e encená-la na Praça dos Três Poderes. Hoje, o diretor divide seus dias entre o teatro e sua casa, onde mora com seis integrantes do Oficina em dois apartamentos interligados - “e uma mulher macumbeira inteligentérrima, que cozinha nos dias de semana, e um cachorro”. Diz que, no início do grupo, limitava-se a dirigir, mas houve um fato que mudou tudo: “Foi num dia de Finados em que morreu a Beata, uma negra que eu amava, eu virei do avesso de dor. O Coro de Roda Viva em Galileu Galilei, que estava proibido de sequer olhar para o público, tomou a plateia como tínhamos ensaiado. A lindíssima atriz Silvinha Werneck me acenou e eu caí de boca na cena e nunca saí mais”.

3 PERGUNTAS PARA - José Celso Martinez Correa gosta de ensaiar e estar em cena

1. O que é ser ator?

Ser ambicioso: querer ser tudo e todos, de todos os tempos no aqui agora, na cena e fora dela.

2. Com qual personagem de teatro se parece?

Com todos e com tudo. Agora, nos meus 80 em Bacantes, estou Tirésias.

3. Peça que foi uma revelação.

Todas que eu vi com meu pai, no circo, no teatro de revista e a primeira vez que vi Maria Della Costa como Joana d’Arc.

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