Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Aqui, o papo é reto

Marcelo Tas retoma o contato com as crianças no Conversa de Gente Grande

Igor Giannasi, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2012 | 03h11

Quando o apresentador Marcelo Tas criou o slogan "CQC: o programa da família brasileira"para a sua atração das noites de segunda-feira nem imaginava que a frase viria a calhar também para o seu novo projeto na Band. Conversa de Gente Grande estreia hoje, às 20h, com a pretensão de agradar a todas as faixas etárias, tendo Tas dividindo o estúdio com sua nova equipe de trabalho: uma turminha entre 3 e 11 anos de idade.

A criançada - dez garotos e garotas a cada semana - vai entrevistar personalidades e também ser alvo das perguntas de Tas. Tudo sem papas na língua e sem restrições. Nas conversas com os pequenos surgem inclusive temas adultos como violência, adultério, drogas e até sexo. "Para mim, o que muda no programa é a lente com que a gente olha para esses assuntos. Então, não tem tabu. Vamos falar de tudo, com muita naturalidade", disse Tas.

No programa de hoje, as crianças conseguiram arrancar uma declaração polêmica do rei do futebol. Questionado pela garotada, Pelé concordou que o Brasil merecia mesmo "um chute na bunda", como indicou o secretário Geral da Fifa, Jérôme Valcke, no começo do ano, por conta do atraso nas obras para a realização da Copa do Mundo no País. Outra pergunta que pode ser considerada embaraçosa quando vinda da boca de uma criança foi destinada à humorista Dani Calabresa, que participa, junto com o marido, o também humorista Marcelo Adnet, de outro programa já gravado. Um dos meninos quis saber o que ela achava de o companheiro sair pelado em uma revista.

Claro que as tiradas espirituosas não são fruto apenas da espontaneidade e da inocência infantis. Há uma ajudinha da produção, que conversa antes com o elenco de crianças (que não é fixo) para fazer uma apresentação sobre os convidados e definir o que estará entre as questões. "O que a produção faz, basicamente, é ordenar o conteúdo. Muitas vezes as perguntas não são claras ou não têm muito a ver com o combinado, e são muitas também, então temos de fazer uma seleção", explica Diego Barredo, gerente de conteúdo da Eyeworks Brasil, que produz o Conversa de Gente Grande.

Após o piloto (edição de teste) que agradou a direção da emissora, pronto no ano passado, as gravações começaram em fevereiro, antes mesmo de Tas voltar das férias do CQC, onde se mantém na bancada. O ex-jogador e comentarista esportivo Neto e o cantor Falcão também já passaram pela sabatina com as crianças. Além das entrevistas, há quadros como o que usa uma câmera oculta para registrar as reações das crianças, e aquele em que os guris ensinam os adultos a lidar com tecnologia.

Professor Tibúrcio. A nova atração é mais um passo na trajetória de Tas no universo infantil. Há toda uma geração que foi aluna do Professor Tibúrcio entre os anos 80 e 90, pelo programa Rá-Tim-Bum, da TV Cultura. Outra geração também aprendeu muito com o Telekid, personagem de Tas no Castelo Rá-Tim-Bum que sempre abria suas explicações com o bordão "Porque sim não é resposta". Mais recentemente, ele inaugurou o Plantão do Tas no Cartoon Network, um telejornal de notícias inventadas, ao lado de outras crianças.

Para o apresentador, quase não há diferenças entre aquele público que acompanhava as lições do Professor Tibúrcio e a molecada de agora. "Fala-se muito dessa história da geração digital, mas o fundamental continua lá: as crianças falam o que vem na cabeça delas. Isso sempre foi assim. E esse é o eixo desse programa." Tas observa que o que difere as crianças dos mais velhos é que elas não têm medo de errar. "Adulto tem medo de pagar mico para seu colega de trabalho, para seus amigos."

Quanto à disputa pela audiência com os adultos do horário - Faustão, Silvio Santos e Gugu -, Tas diz não estar preocupado. "Nós estamos indo para essa briga com a alma aberta e sem grandes expectativas."

Ainda assim, na apresentação do programa à imprensa, Tas não deixou de alfinetar a Globo, que reduziu sua grade infantil. "Creio que a TV aberta hoje está perdendo uma chance de manter a conexão com esse público que é o público dela, mesmo que elas tenham hoje muitas opções na assinatura, na internet e tal. Às vezes, a TV aberta está cega quando começa a achar que não precisa mais atender a esse público. A Band não tem essa visão."

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