"Aquarela do Brasil" acusada de plágio

A história da minissérie Aquarela do Brasil pode ter sido plagiada de um argumento escrito por Eliane Ganem, que chegou à Globo em 1996. A questão foi parar, na semana passada, na 14ª Vara Civel, do Fórum do Rio de Janeiro.Autora de cerca de 20 livros, Eliane conta que seu argumento, registrado na Biblioteca Nacional como Aquarela do Brasil, se passa nos anos 40, no Rio, e tem em sua trama músicas da época. A história gira em torno de uma moça suburbana que sonha ser estrela de rádio, apesar da oposição da família. Ela faz um teste, passa, começa a trabalhar e vira estrela. Na minissérie, a protagonista é uma moça do interior do Rio que sonha em ser cantora de rádio. Ela faz um teste, passa e vai para a capital.Vinte Coincidências - Eliane também achou o personagem do dono da rádio (Arnaldo/Odilon Wagner) muito parecido com um que criara. Ambos são casados, têm uma vedete como amante, amigos na cúpula do governo e fumam charutos. "Sei que um plágio não é uma cópia exata do original", diz Eliane. "Mas listei 20 coincidências entre a minha história e a da Globo."A escritora, que também é professora da Universidade Federal Fluminense, conta que, na mesma época, encaminhou o argumento para três emissoras (Globo, Manchete e SBT).Agora, Eliane pretende ver seu nome no crédito da minissérie e ser indenizada. Contratada da editora Record, ela chamou o advogado da empresa, José Carlos Bruzi para representá-la na Justiça. "A idéia não é tirar a novela do ar", afirma Bruzi. "Só queremos resguardar os direitos autorais."Rebatidas - Autor da minissérie, Lauro César Muniz, conta que a base de sua história foi criada em 1986. "Essa sinopse encaminhei à Casa de Criação da Globo, na época", conta. "Então, tenho como provar que minha história nasceu antes da dela."Sobre as coincidências de personagens como Arnaldo, Muniz diz que "o poder leva a alguns estereótipos dentro do comportamento de uma época". "É quase um clichê que um homem poderoso da época seja amante de vedete ou fume charutos", afirma.O autor admite que a escritora está "no direito dela" de entrar na Justiça, mas diz que Eliane pode passar da posição de vítima a ré. "Se ficar provado que não houve plágio, posso processá-la porque estou tendo minha imagem denegrida", afirma. "Eu não vou admitir o nome dela nos créditos de jeito algum porque essa história é minha."

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