Apresentando o Sr. Cotillard

Marido de Marion e ator em Apenas Uma Noite, Guillaume Canet fala de filmes, amigos e de sua linda mulher

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2012 | 03h07

Na França, ele é ator e diretor de prestígio, ganhou o César, o Oscar francês, pela direção de Ne le Dis à Personne. No Brasil, uma boa forma de apresentar Guillaume Canet talvez seja dizendo que ele é o sr. Marion Cotillard, casado com a estrela que ganhou o Oscar (de Hollywood) por sua criação como Piaf. Antes, o cara foi casado com Diane Kruger, o que não é pouca coisa. Canet dirige Até a Eternidade, Les Petits Mouchoirs, em cartaz nos cinemas e que ele próprio, numa entrevista realizada em Paris - nos encontros promovidos pela Unifrance -, definiu como seu 'film de potes', ou seja, de amigos.

Na época, Canet estava prestes a interpretar, nos EUA, um filme que já entrou em cartaz - Apenas Uma Noite. Na entrevista com a diretora Massy Tadjedin, o repórter observou que havia achado Canet muito parecido com Patrick Dempsey e ela achou graça porque, inicialmente, o personagem do ex-amante de Keira Knightley havia sido escrito para o astro da série Grey's Anatomy. Faltando pouco para o início da rodagem, Massy achou que seria melhor se o personagem fosse estrangeiro e se lembrou de Canet, a quem conheceu quando ele foi apresentar um de seus filmes em Los Angeles. "Ele foi muito sedutor", comentou com o repórter do Estado.

A entrevista com Guillaume Canet, em Paris, era para falar de Le Dernier Vol, de Karin Dridi, em que contracena com a mulher. Marion faz uma aviadora francesa que voa sobre o Saara, ele integra o Exército colonial francês. No final, a entrevista foi muito mais sobre os filmes do próprio Canet e sobre sua linda mulher. Ele contou como o processo de Ne le Dis à Personne havia sido estressante. "Trabalhei muito na montagem, no lançamento e no final estava tão debilitado que peguei um vírus. Fui parar no hospital, com suspeita de septicemia. Isso me levou a repensar minha vida, minhas prioridades."

Mas o verdadeiro início do que viria a ser o filme em cartaz ainda demorou mais um tempo. Ne le Dis é de 2005, Até a Eternidade, de 2010. Canet o havia concluído, estava cheio de expectativa face à acolhida do público e da crítica (que foi favorável, na França). Em 2007, partiu em viagem com uma amiga, que não identificou. Começou a lhe falar do filme de amigos que pretendia realizar. Foi quando percebeu que o projeto estava praticamente pronto no seu imaginário. Escreveu o roteiro nos intervalos de filmagem de L'Affaire Farewell, do qual foi ator, em 2008. Convocou os amigos - François Cluzet, que faz o líder do grupo, aquele que vai para o hospital na ficção e isso desencadeia a crise dos amigos; Jean Dujardin; e a mulher amada, Marion Cotillard.

"Jean, eu conheço desde o jardim de infância. Cobrava dele - tu te souviens de Mademoiselle...? Ele se lembrava de todas as professoras que tivemos, desde aquela época." O modelo assumido de Canet foi O Reencontro, de Lawrence Kasdan. "Não conheço ninguém que não goste daquele filme nem que não seja tocado pela amizade daquele grupo. O que queria colocar na tela era justamente a união das pessoas e questionar as pequenas mentiras, sobre as quais construímos nossas vidas. Você está contente com seu trabalho? Com sua companheira?"

Ele admite que os diálogos, as cenas, vieram antes que a estrutura e que o clima de companheirismo foi essencial no set, mesmo que eventualmente, pela própria confusão entre realidade e ficção, surgissem atritos. "A equipe técnica participava desse clima. Todos conhecidos, muitos amigos. Não creio que o cinema deva ser sempre assim, mas, às vezes, dá certo. Veja os filmes de Claude Sautet (o diretor de 'As Coisas da Vida'). Quando crescer, quero ser como ele", brinca. E Le Dernier Vol? "Foi muito interessante de fazer. A aventura no deserto, a estrutura romanesca do relato. Pena que o público não tenha se deixado seduzir." Marion? "É o amor da minha vida, e uma atriz formidável. O mundo todo já se deu conta de como ela é especial. E Marion, quando entra na personagem, é para valer."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.