Apresentação de um autor

A estreia da peça Auto da Compadecida chamou a atenção do caderno para a excelência da produção do então jovem dramaturgo

Sábato Magaldi, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2011 | 00h00

Estréia segunda-feira, no Teatro Natal, o "Auto da Compadecida", do jovem autor Ariano Suassuna. Existe, com relação ao acontecimento, uma grande expectativa, porque a peça, quando encenada recentemente no Rio, obteve a medalha de ouro do I Festival Brasileiro de Teatro Amador, e a critica saudou o dramaturgo como uma das maiores revelações do nosso palco.

Ariano Suassuna tem 29 anos, sendo originario de Taperoá, na Paraiba, onde se passa a ação de "A compadecida". Hermilo Borba Filho, diretor da montagem paulista, forneceu-nos as outras informações biograficas sobre Ariano Suassuna, que ele lançou no Teatro do Estudante de Pernambuco. Filho de ex-governador do seu Estado natal, leciona Estetica na Faculdade de Filosofia da Universidade do Recife, e Teatro no Colegio Estadual de Pernambuco, exercendo a critica no "Diario" daquela cidade. Formado em Direito em 1950, advogou durante dois anos, abandonando a profissão para dedicar-se ao teatro. Já conta em sua bagagem diversas peças: "Uma mulher vestida de Sol" (...), "Cantam as harpas de Sião", "Os homens de barro", "O arco desolado" (que mereceu o voto de Ruggero Jacobbi para o Premio Martins Penna, instituido pela Comissão do IV Centenario de S. Paulo), "O auto de João da Cruz" (que obteve o primeiro lugar em concurso promovido pela Secretaria da Educação de Pernambuco) e "O processo do Cristo Negro". (...). Oriundo de Familia protestante, converteu-se ao catolicismo, durante uma enfermidade. Acrescenta Hermilo que Ariano Suassuna (...) entende de musica e pintura, faz poemas, já tentou escultura, estudou com afinco latim e grego para ler os classicos no original, e prestou neste ano os exames vestibulares de Filosofia. Devendo publicar a convite da Secretaria da Educação de Pernambuco e ao ensejo de seus dez anos de teatro, todas as peças, Ariano Suassuna pretende reescrevê-las para dar-lhes (...) e um estilo "vivo, popular e forte". Em carta ao autor de "A barca de ouro", escreveu Ariano Suassuna que "estamos vivendo a epoca elisabeteana agora, estamos num tempo semelhante ao que produziu Molière, Gil Vicente, Shakespeare etc.".

As indicações biograficas, sobretudo no tocante á crença religiosa e á visão do mundo contemporaneo (Ariano Suassuna aproxima o Nordeste de Florença e Roma renascentistas) introduzem-nos no universo dramatico de "A compadecida", bem como do "Auto de João da Cruz" e "O arco desolado", os textos de sua autoria que tivemos ensejo de ler. Trata-se, sem duvida, de um escritor teatral autentico de quem se pode esperar muito.(...)

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