Apresentação arrebatadora

Cabem menos de 100 pessoas no auditório do Departamento de Música da ECA-USP. Metade das cadeiras estava ocupada quando o Quarteto de Cordas Cidade de São Paulo abriu o concerto didático de anteontem, às 18h30. No programa, o quarteto opus 20, n.º 5 de Haydn, o "inventor" do gênero, na segunda metade do século 18; e o encorpadíssimo quarteto opus 67 de Brahms, uma das obras mais densas já escritas para esta formação. Fiquei intrigado com a inclusão do quarteto "Aus der Ferne" (Ao longe), do compositor húngaro György Kurtág, que está com 86 anos. Ele dura 2 minutos e foi ensanduichado entre as duas obras-primas que sozinhas preenchem uma hora de música.

O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2012 | 03h12

Aparentemente, uma perversidade. Afinal, ao contrário do previsível, a maioria do público não era estudante ou músico. Mas a habilidade de Marcelo Jaffé nos comentários transformou o desequilíbrio em virtude e nos conduziu a uma audição compreensiva das obras. Por isso, são diferenciados esses concertos gratuitos, feitos uma vez por mês na ECA e na Biblioteca Mário de Andrade.

Uma hora de música, meia hora de conversa e uma performance arrebatadora. Afinal, Betina Stegman, Nelson Rios, Marcelo e Robert Suetholz estão juntos há dez anos. Ensaiam de segunda a sexta. A convivência os amadureceu de tal forma que é capaz de mostrar tanto a leveza de Haydn como transformar a escrita quase sempre densa de Brahms em música envolvente. Além disso, tocam com alegria e prazer.

A história em torno de Alfred Schlees, editor da Universal que guardou partituras de compositores banidos durante o nazismo, e que em 1991 mereceu da editora um tributo por 37 compositores, modificou nossa audição do microquarteto de Kurtág. Como 35 escreveram tributos para quarteto de cordas, ficou a vontade de ouvir outros tributos a Schlees. Para o público, a pílula contemporânea funcionou muito bem.

Crítica: João Marcos Coelho

JJJJ ÓTIMO

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