Filo/Divulgação
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Apoteose do Filo

Ao fim da 43ª edição, encontro de Londrina promete ampliação

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

LONDRINA

A expectativa do público diante de um grande filme, peça, concerto ou obra literária é de que o apogeu ocorra nos momentos finais. O Festival Internacional de Londrina (Filo) não decepcionou os milhares de espectadores e fechou sua 43.ª edição de maneira apoteótica com a apresentação de Tatyana, com a Cia. de Dança Deborah Colker, domingo. O Filo ainda teve como um dos pontos mais altos o divertido Teatro Delusio, do grupo alemão Familie Flöz.

O evento atingiu os objetivos, de acordo com os organizadores, e teve público direto de 60 mil presentes em teatros e mais 20 mil ou 30 mil não contabilizados, por exemplo, em peças nas ruas da cidade. Houve noites em que dezenas de pessoas tiveram de ficar do lado de fora, por falta de ingresso, e foram raras as ocasiões em que a lotação não atingiu 100%. "O espetáculo como um todo foi um sucesso", disse Luiz Bertipaglia, diretor do Filo. "A aceitação da programação foi muito grande."

Maria Alice Vergueiro em As Três Velhas e Cacá Carvalho em O Hóspede Secreto emocionaram, mas quem de fato levantou os fãs e superlotou o Teatro Ouro Verde, o maior de Londrina (900 lugares), em duas noites, foi Deborah Colker, com Tatyana. Esse é a primeira obra da coreógrafa a contar uma história com começo, meio e fim, e se baseia no clássico da literatura Evguêni Oniéguin, de Aleksandr Puchkin. Um drama que movimenta paixões e aborda transformações psicológicas de personagens, impulsionado pela música de Tchaikovsky, Rachmaninov e Stravinski. No palco, uma árvore estilizada de duas toneladas decora o ambiente.

O ponto baixo do Filo foi, mais uma vez, a escassez de locais apropriados para as exibições, antiga carência do município, que prevê a construção de um moderno teatro municipal para breve. Deborah Colker, por exemplo, anunciou, pouco antes do início de Tatyana, que "a apresentação teria de sofrer adaptações por falta de espaço no palco" do Ouro Verde. Nada que causasse grandes prejuízos ao espetáculo, mas algo que escancara a necessidade de novos aparatos na cidade.

O mesmo Ouro Verde recebeu o criativo trio da Alemanha Familie Flöz, que provocou gargalhadas na plateia do início ao fim, por mais de uma hora. Teatro Delusio mostra os bastidores e o trabalho dos técnicos e produtores durante realização de uma peça. Não há diálogo e os atores trabalham durante todo o tempo com máscaras no rosto. "A máscara nos permite trocar de personagem rapidamente, cada um de nós interpreta dez personagens", comentou Hajo Schüeler, um dos fundadores da companhia.

O Filo também esteve nas ruas de Londrina e da vizinha Cambé. A peça ao ar livre que mais atraiu o povo foi Sua Incelença, Ricardo III, do grupo Clowns de Shakespeare, de Natal, RN. A trama é exibida de forma divertida, característica marcante da trupe potiguar. Ao todo, o festival recebeu 12 grupos internacionais, além dos brasileiros, e estima-se que tenha movimentado R$ 1,5 milhão diretamente na economia de Londrina durante as 100 apresentações nos 17 dias de evento.

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