Após hiato de 20 anos, Tarcísio Meira volta aos cinemas

Depois de protagonizar "Boca de Ouro", produção policial dirigida por Walter Avancini e inspirada no texto de Nelson Rodrigues, e conquistar o prêmio de melhor ator no Festival Latino de Nova York, em 1990, Tarcísio Meira foi convidado para participar do remake do longa nos EUA. Durante as filmagens, se surpreendeu com o número de câmeras e o desperdício de filme, artigo de luxo no cinema nacional. "Lembro de errar numa cena e pedir para cortar, mas eles não cortavam. Não tinha aquela tensão que eu estava acostumado por causa do filme. Naquele momento, percebi que estávamos brigando sem armas para fazer um cinema bom como o deles", diz Tarcísio. O resultado foram mais de 20 anos longe dos filmes. Mas o ''recesso'' chega ao fim com a estreia de "Não se Preocupe, Nada Vai dar Certo".

AE, Agência Estado

04 de agosto de 2011 | 10h32

O estilo de humor de Hugo Carvana, conhecido por encarnar como ninguém o malandro carioca, marca o filme, o oitavo de sua carreira de diretor e o 90º em que aparece atuando. Seguindo seus trabalhos anteriores, como "Casa da Mãe Joana" (2008) e "Vai Trabalhar, Vagabundo" (1973), Carvana mais uma vez retrata um universo de figuras um tanto picaretas, com aquele jeitinho brasileiro, mas descompromissadas e leves, donas de uma maneira de ver a vida repleta de alegria e um toque de romantismo.

A trama acompanha uma dupla de atores. O veterano Ramon Velasco, papel de Tarcísio Meira, e seu filho, Lalau Velasco, bem interpretado por Gregório Duvivier. Os dois rodam o País numa Kombi com o show de stand up comedy mambembe de Lalau, em que ele faz rir contando as bobagens do pai, que não são poucas. O jeitão trambiqueiro do homem já colocou e continua pondo os dois em inúmeras frias. E é exatamente após uma dessas, digamos, mancadas que o personagem solta pela primeira vez o bordão que o acompanha ao longo dos 100 minutos de filme: Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo.

Na vida real, foi o bordão a inspiração para Carvana pensar na produção. "Meu grande amigo o diretor Armando Costa (1933 - 1984) costumava falar essa frase. Eu lembro de ficar desesperado para terminar a sequência de algum filme e ele com seu copo de uísque na testa, porque ele tinha uma enxaqueca eterna, dizendo: ''Não se preocupe, nada vai dar certo''", revela.

Com a frase na cabeça, Carvana começou a pensar num contexto para inseri-la, nasceram então os Velascos e a ideia de se tratar de dois atores, pai e filho, um velho e um novo. "Imaginei que seria um bom conflito. Comemorei tomando dois uísques", brinca. Durante apresentações no bar de um hotel no Ceará, Lalau conhece uma assessora de imprensa, interpretada por Flavia Alessandra, que faz a ele uma proposta interessante, fingir por alguns dias ser um guru indiano, dar uma série de workshops e ganhar US$ 100 mil. Como não poderia deixar de ser, o tal guru, Bob Savanandra, é a cara de Lalau, o que facilita tudo.

Com medo que seu pai faça algo para estragar seu plano, Lalau foge. Ramon, que não é bobo nem nada, resolve ir atrás do filho para descobrir em que enrascada o jovem se meteu e o que ele pode ganhar com isso. No elenco, que conta ainda com Herson Capri, Ângela Vieira e Mariana Rios, destaque para o jeito quase canastrão do personagem de Tarcísio. Conhecido pelos galãs da TV, o ator mostra um lado descontraído, que deve fazer muita gente rir em bom português. As informações são do Jornal da Tarde.

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