Após denúncias de assédio, professor é afastado da Escola de Cinema Darcy Ribeiro

Após denúncias de assédio, professor é afastado da Escola de Cinema Darcy Ribeiro

O jornalista e crítico de cinema Rodrigo Fonseca foi acusado de assédio sexual e moral por pelo menos 13 alunas da instituição; ele nega as acusações

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 22h21

RIO - O jornalista e crítico de cinema Rodrigo Fonseca foi afastado do quadro de professores da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio, após denúncias de assédio sexual e moral feitas por pelo menos 13 alunas da instituição. Fonseca pediu afastamento nesta quinta, 26, da presidência da Associação de Críticos de Cinema do RJ (ACCRJ) até que o caso seja esclarecido. Ele nega veementemente as acusações.

A história veio à tona, inicialmente, em uma reportagem publicada pelo site BuzzFeed, na última quarta-feira. A escola confirmou as denúncias e o afastamento de Fonseca em nota oficial divulgada nesta quinta. Em entrevistas, três alunas confirmaram as denúncias. Elas afirmaram, no entanto, que não levaram o caso à polícia por medo de represálias. 

No último dia 9 de julho, a direção da escola promoveu uma reunião com mais de 80 estudantes do primeiro semestre, todos eles alunos de Rodrigo. Queria apurar o que estava acontecendo, após denúncias de algumas estudantes. As meninas compartilharam histórias similares de assédio, em que o professor as convidava para tomar um café ou uma cerveja e tentava beijá-las. Elas também contaram que, diante da recusa, ele as destratava em sala de aula. 

“Ele tentou me dar um beijo na boca e eu virei o rosto”, contou nesta quinta ao Estado uma aluna, sob a condição de anonimato. “Três dias depois mandou mensagem dizendo que estava com saudades. Eu não respondi, fiquei com medo porque ele é um cara muito influente. Depois ele foi grosso comigo em sala de aula.”

Em nota oficial, a escola informou: “Diante da gravidade dos relatos, a Escola, de imediato, apoiou e atuou, como, inclusive, continua apoiando, através de assistência social, psicológica e assessoria jurídica, as alunas, fazendo com que, logo após o relato dos fatos, toda a turma não tivesse, como, de fato, não teve, mais qualquer contato com o professor, cujo contrato não foi renovado, estando afastado da escola (sic).”

Na noite da última quarta-feira, Fonseca, colaborador do Estado, postou em sua página em uma rede social: “Amigas e amigos, estou sendo vítima de uma absurda acusação feita numa matéria jornalística cujo teor é totalmente falso. A matéria tem por objetivo claro me difamar com uma odiosa mentira. Estou extremamente indignado, mas conto com o apoio da minha família e, agora, de advogados que fui obrigado a constituir para me proteger desse ataque covarde.”

O advogado Ricardo Brajterman afirmou que Rodrigo Fonseca "não esperava por isso porque nunca assediou ninguém, nunca teve nenhuma relação com aluna ou aluno. Ele está perplexo”, disse. “Como ninguém prestou queixa na delegacia, fica parecendo mais uma vingança contra ele, contra o professor que é um profissional respeitado, com uma carreira consolidada. Isso é muito perigoso.”

Brajterman afirmou que Fonseca era considerado o melhor professor do curso até ter cobrado dos alunos mais dedicação no período de avaliações. Ainda de acordo com o advogado, ele soube das denúncias pela matéria do BuzzFeed.

Pelas redes sociais, um outro aluno da escola, identificado como Renato Prata Biar, afirmou: “Eu sou aluno da Darcy e faço parte da turma que denunciou o Rodrigo à direção da escola. Foram mais de dez mulheres que contaram, durante uma reunião da turma, as diversas histórias de assédio sofrido por elas e cometidas pelo Rodrigo. Os depoimentos foram extremamente fortes, emocionantes e revoltantes. Não existe a mínima possibilidade de ele ser a vítima e elas serem as algozes fingidas. Foram depoimentos sinceros, regados a muitas lágrimas.”

Rodrigo é roteirista contratado pela Globo. Procurada, a assessoria da emissora afirmou que não cabe ao canal esclarecer mais do que já foi dito. O jornalista, no entanto, não vai para Paraty, onde teria duas mesas organizadas pela Globo, com Paulo Lins, nesta sexta e sábado.   

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.