Após 3 anos em Salvador, obras de Rodin voltam a Paris

Rodin à baiana não teve um desfecho feliz. Há 13 dias, após passarem três anos em Salvador, 62 peças de Auguste Rodin (1840-1917), incluindo "O Pensador", "O Beijo", "A Defesa", "Eva" e "O Homem Que Anda", deixaram de ser exibidas ao público em Salvador no Palacete das Artes Rodin Bahia, na Rua da Graça. O site oficial do museu ainda ostenta o subtítulo, mas ele também será eliminado nos próximos dias.

AE, Agência Estado

14 de novembro de 2012 | 10h25

Cedidas aos baianos em comodato em 2009 pelo Museu Rodin de Paris, as obras estabeleceram na Bahia uma nova ambição cosmopolita quase do quilate daquela liderada por Edgar Santos nos anos 1950. As esculturas foram visitadas por quase 500 mil pessoas, mas ainda assim o comodato não foi estendido - para alguns, por falta de "vontade política" ou de verbas. O governo da Bahia investiu, em 2009, cerca de R$ 1,5 milhão na exposição.

O que fez muita gente ficar rodando a baiana com o desfecho foram as polêmicas declarações do diretor do Palacete das Artes, Murilo Ribeiro, ao encerrar a parceria com o governo francês. "Ninguém vem à Bahia para ver Rodin. Quem vem para a Bahia quer ver a cultura da Bahia", afirmou, em entrevista ao jornal "A Tarde". "A exposição de Rodin teve sua importância e aproximou o público da escultura, mas esta é uma linguagem artística que demanda mais apuro." A reportagem não conseguiu localizar Ribeiro nesta terça-feira.

Segundo nota oficial do Palacete das Artes, com o término do contrato de comodato das peças de Rodin, o casarão passará por "pequenas reformas e adequações das salas expositivas para receber novas mostras". A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia já anunciou que fechou uma exposição do artista baiano Mário Cravo Jr., de janeiro a abril, quando ele completará 90 anos. O museu anunciou a contratação do curador Tadeu Chiarelli, diretor do MAC (Museu de Arte Contemporânea) de São Paulo, para organizar essa mostra. "A curadoria fará um projeto expográfico que dará foco a artistas baianos", disse Murilo Ribeiro.

Essa "baianização" do cenário museológico baiano, em detrimento de uma abertura internacionalizante, é vista como um sintoma de provincianismo. O projeto de um Museu Rodin em Salvador foi lançado em 2002, estimulado por Jacques Vilain, diretor do Rodin de Paris. O museu concordava em ceder em comodato 62 obras ao governo baiano para o acervo da nova instituição, a primeira na América Latina. O Estado da Bahia arcaria apenas com o custo do seguro das obras.

"A cada três anos, faremos uma reavaliação para mudança parcial das peças", disse na época Paulo Gaudenzi, secretário de Estado da Cultura da Bahia. "Pretendemos aos poucos comprar também bronzes para o acervo definitivo do museu, a partir de uma grande campanha", acrescentou. A devolução das peças, sem um novo acordo para prorrogar a cessão, sinaliza um recuo nessa intenção pelo atual governo.

Em seus três anos em Salvador, a mostra "Auguste Rodin: Homem e Gênio", que exibia as 62 esculturas, instaurou a gratuidade nos museus baianos, até então inédita. Segundo Ribeiro, o público maior veio das escolas públicas e da própria Bahia. "Na Bahia, não temos uma tradição de apreciação de artes plásticas, mas já existe uma maior motivação", considerou.

A Sala de Arte Contemporânea do Palacete das Artes atualmente sedia a exposição "Modigliani: Imagens de Uma Vida", e permanecerá abrigando mostras temporárias. Em dezembro, será aberto "Tributo a Jorge Amado", das artistas plásticas Maria Adair e Eliana Kertesz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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