Apollo 18, o horror, o horror

Para falar de Apollo 18 - A Missão Proibida, que estreia hoje, é preciso retroceder uns 30 anos, até a época de Cannibal Holocaust. Em 1980, Ruggero Deodato fez seu filme que virou cult, sobre uma equipe de cineastas que realiza documentário numa região primitiva. O grupo é comido pelos canibais do título. Sobram os filmes que deixaram abandonados.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2011 | 00h00

O velho Cannibal Holocaust serviu de matriz para filmes tão diferenciados quanto A Bruxa de Blair, de Daniel Myrick e Eduardo Sanchez, e Reducted, de Brian De Palma. Os mesmos procedimentos dramáticos são aplicados agora em Apollo 18. O tom do filme de Gonzalo López-Gallego é de um (falso) documentário. Ficção pura. Dois astronautas são enviados à Lua no que parece uma missão até rotineira. Vão instalar aparelhos para monitoramento do dark side do satélite da Terra. Ao chegar, descobrem nas proximidades uma nave soviética, com um cadáver a bordo. O cosmonauta foi, obviamente, morto - mas por quem? Pelo companheiro? Em caso afirmativo, onde está?

Começam a ocorrer coisas estranhas. Um dos astronautas é infectado, por quem ou por quê? Alienígenas? O filme leva o espectador a compartilhar o clima claustrofóbico no interior da minúscula nave. A filmagem é a dos próprios astronautas. Câmera de vídeo, imagem tremida, todo tipo de interferência visual e sonora. Houston abandona os astronautas à própria sorte. O velho embate entre o homem e a instituição - desde o início, eles já estavam condenados. Cannibal Holocaust e A Bruxa de Blair filtrados por Atividade Paranormal. Paranoia, terror barato, em duplo sentido.

APOLLO 18 - A MISSÃO PROIBIDA

Direção: Gonzalo López-Gallego. Gênero: Ficção científica (EUA/ 2011, 93 min.). Censura: 14 anos.

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