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Fábio Porchat
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Apertem os cintos!

Numa época distante, quando terrorista muçulmano ainda não era moda, era só um cara lá longe que explodia pessoas e não prédios e aeronaves, viajar de avião era tranquilo. Só que agora fomos transformados em Osamas Bin Ladens em potencial. Estou em L.A. e chegar até aqui foi uma vitória! No aeroporto, a cada cem metros um policial te olha com uma cara de: é você! Tira sapato, cinto, casaco, passa tudo pelo raio X. Você é escaneado, revistado, indagado. Por um segundo eu penso, "será que eu tenho uma bomba aqui comigo?". Eu entendo a neurose deles, entendo que eles cavaram isso pra eles, mas poxa, eu só queria viajar, não vou explodir nada não, prometo. Podia ter uma fila preferencial pra pessoas que juram que não vão matar ninguém. E virou isso no mundo inteiro. Só que no Brasil, essa preocupação toda chega a ser um pouco patética nos voos nacionais.

FÁBIO PORCHAT,

04 de agosto de 2013 | 02h17

A sensação que eu tenho é que o pessoal ali ao redor do detector de metais tá sempre querendo mostrar serviço. Porque eles sabem que ninguém quer derrubar o voo da TAM que faz Uberaba-Cuiabá, sabe assim? Quem é o terrorista brasileiro maquiavélico que quer derrubar um Boeing em Manaus? O pessoal da segurança nos aeroportos brasileiros sabem que podem perder o emprego a qualquer momento quando alguém se perguntar "pera aí, por quê?".

De vez em quando eles param sua mala e perguntam muito sério se aquilo é uma caneta mesmo. Você fala que é e eles mandam você seguir. Ufa, minha caneta-bomba passou ilesa. Eu sei que tem que ter segurança e que os caras tão só fazendo o trabalho deles, mas é que é muito exagerado. Talvez só Brasília tenha que se preocupar com atentados, por motivos óbvios. Mas Santarém? Macaé? Londrina? Diz que o aeroporto de São José do Rio Preto é o mais seguro do Brasil. A tradução literal é: o mais chato do Brasil. Tem que tirar sapato, laptop, a fila é grande e pra quê? Do que São José do Rio Preto está nos protegendo que o resto do Brasil não está conseguindo fazer? Quantos atentados será que eles já conseguiram evitar com esse rigor todo? Aposto que no 11 de setembro os funcionários de lá pensaram: isso aí aconteceu porque não foi aqui em São José do Rio Preto, que aqui a gente tinha evitado tudo isso.

Um dia, voltando de lá, na fila, na minha frente, estava o Antônio Fagundes. Ele passou a bagagem de mão pela maquininha e o policial pediu pra ele abrir a mala. Revistou e com a maior seriedade do mundo, mandou ele seguir. Na boa, qual o perigo real e imediato que o Antônio Fagundes pode representar para a nação? O que poderia ter Antônio Fagundes em sua bolsa de mão que pode ser visto como uma ameaça? E você acha mesmo que ele vai surpreender a todos, largar tudo e explodir um 747 em São José do Rio Preto? Já tô até vendo a matéria no dia seguinte: "Membro da Al-Qaeda, Antônio Fagundes derruba voo da Gol no Ibirapuera. Suas últimas palavras foram: não é só pelos 20 centavos". Não quero dizer com isso que o Antônio Fagundes tenha que ter passe livre, ele tem que passar pelo mesmo procedimento que todo mundo. Mas assim, São José do Rio Preto, menos né? Bem menos.

***

E quarta-feira agora, às 18 horas, será o lançamento do livro do Porta dos Fundos, pela Sextante, lá na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Tá todo mundo convidado. Espero você lá!

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