Apenas uma vez depois do encanto

O duo de folk que ganhou o Oscar de melhor canção vem a São Paulo

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

 

 

Irlanda e República Checa. Glenn Hansard e Markéta Irglová: no ano passado, duo saiu em turnê e gravou o disco Strict Joy

     Atendendo aos suspiros da plateia, a história de amor entre um músico de rua irlandês e uma imigrante do Leste Europeu foi bem além dos créditos finais no filme Apenas Uma Vez. O romance durou por oito meses depois de Glenn Hansard e Markéta Irglová, que formam o duo de folk Swell Season, levarem o Oscar de melhor canção pela trilha do filme. Mesmo com o fim do namoro, o embalo do sucesso hollywoodiano trouxe à dupla uma boa base de fãs.

O duo, que vem a São Paulo para show no Via Funchal na sexta, saiu em turnê pelo mundo e, ano passado, gravou o disco Strict Joy, que traz um pop menos tristonho do que o da trilha do filme. O Estado conversou com Irglová sobre o trabalho, a parceria com o ex-namorado e os aprendizados de musicista.

Vocês são conhecidos como o casal de Apenas Uma Vez. Isso atrapalha na continuidade do Swell Season?

Não. Ficamos famosos por causa do filme mas as pessoas gostam bastante das músicas novas. Sempre lotam os shows. Se gostassem só do filme teriam ido às apresentações em que tocávamos a trilha sonora e só.

Os personagens do filme são músicos e vêm dos mesmos lugares que vocês. Há outras semelhanças?

É difícil se separar completamente do personagem. Há muito de mim na menina do filme. Improvisamos bastante e os diálogos ficaram bem parecidos com os do nosso relacionamento cotidiano.

E o personagem de Glenn?

O dele é mais ingênuo. Glenn já era um músico bem-sucedido antes de fazer o filme. Tocava em uma banda havia 17 anos. Para mim é difícil separar os dois. A realidade e a ficção são entremeadas. A linha entre os dois não é tão nítida.

Foi por isso que vocês se apaixonaram?

Namoramos porque dividimos uma época muito intensa de nossas vidas. Acho que isso sempre acontece com pessoas que trabalham em um set de filmagens ou circunstâncias parecidas. Mas logo percebemos que era melhor sermos amigos.

Por quê?

Fazíamos turnês e passávamos muito tempo juntos. Para conviver tanto é preciso ter muita amizade. Mas, como namorados, não concordávamos em assuntos românticos. Víamos as coisas de modo diferente. Glenn tem uma alma livre. Não é a pessoa certa para um longo relacionamento. Tenho certeza de que vai achar seu par, mas esta pessoa não sou eu.

Vocês se conheceram no set?

Não. Já éramos amigos há anos. Eu tinha 13 quando o conheci. Ele fazia turnês com sua banda, The Frames, na República Checa. Ficou amigo dos meus pais e passou a ficar na minha casa toda vez que estava no país. Um dia, ele pediu para que eu tocasse piano e cantasse em algumas de suas canções e começamos a colaborar e viajar juntos.

E já havia um clima?

Eu era jovem e o idolatrava. Acho que fiquei a fim dele por um tempo, mas morava na República Checa e ele fazia turnês pelo mundo. Não havia nenhuma possibilidade de ter um relacionamento.

As canções do novo disco me parecem menos carentes do que as antigas. Isso reflete o momento que você vive?

Sim. Artistas projetam as fases pelas quais passam em suas canções. O disco novo é mais dinâmico. Tem corais e mais participações da banda. Isso dá um ar mais ameno. Eu me sinto mais firme e feliz agora.

Você estava infeliz quando fez o filme?

Não. Mas passei por experiências que, na época, eu não tinha como compreender. Foi um processo duro. Eu era jovem. Não tinha vivenciado uma versão branda do sucesso. Foi como aprender a nadar ao pular na piscina. Disseram "vai lá e nade". Foi o que fiz e hoje me sinto muito tranquila com isso.

THE SWELL SEASON

HSBC Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, 4003-1212.

6ª (27/8), às 22 h. R$ 90/ R$ 300. www.hsbcbrasil.com.br.

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