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Apenas humano

James Mangold prefere drama pessoal de Wolverine a trama sobre 'fim do mundo'

Tonica Chagas , Especial para o Estado, Nova York , O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2013 | 07h45

Há uma característica comum entre o ator Hugh Jackman e o diretor norte-americano James Mangold: ambos gostam de fazer filmes completamente diferentes uns dos outros. Os dois trabalharam juntos pela primeira vez na comédia romântica Kate & Leopold, em 2001, e voltaram a se reunir em Wolverine - Imortal, atualmente em cartaz no País.

Para Jackman, o personagem já é um velho conhecido, mas o novo capítulo da história do homem com garras de metal é o primeiro filme de ação que Mangold dirige. Sentindo-se incapaz de "ganhar a corrida armamentista" travada pelas produções cinematográficas com super-heróis, ele preferiu colocar as câmeras sobre o lado humano de Wolverine.

Nascido em 1963, em Nova York, Mangold lembra como eram raros os episódios em que o mundo estivesse prestes a acabar nos gibis que leu até lá pelos seus 20 anos.

Como a computação gráfica permite que se faça qualquer coisa, "o que acontece quando transportam as histórias dos gibis para o cinema é que elas se tornam mais espetaculares do que as originais", diz ele.

"A escalada de planetas que explodem, a criação de novos heróis ou vilões diabólicos querendo destruir os Estados Unidos, a Europa ou o planeta todo se expande cada vez mais, mas não é possível destruir mais do que a galáxia", avalia Mangold.

Mesmo considerando alguns desses filmes excelentes, ele afirma que não são tipo de longa que faria. Por isso, preferiu recuar e procurar formas de, por exemplo, fazer lutas mais tensas entre os personagens. James Mangold queria que a plateia se envolvesse nessa história de Wolverine no Japão não por se sentir em perigo, mas porque isso ocorre com os personagens na tela e com as pessoas de que gostam.

Mesmo nos quadrinhos, observa o diretor, o personagem de Wolverine é construído em torno da personalidade dele, "uma espécie de misantropo, alguém incapaz de se conectar". Conta que, desde que a Fox o chamou para esse trabalho e ele leu o roteiro pela primeira vez, pensou em começar a história depois de Wolverine ter sofrido uma grande perda e situá-la num tempo posterior ao dos filmes já feitos com o personagem. "Ele não está se escondendo da humanidade porque não gosta mais dela, mas porque não quer ferir mais ninguém", explica.

Versatilidade. Dirigir um drama como Garota, Interrompida (1999), uma biografia como a do cantor e compositor Johnny Cash em Johnny & June (2005), ou um faroeste como Os Indomáveis (2007), não é muito diferente para Mangold. "Alguns diretores ficam presos a um gênero pelos próprios temores, outros porque são marcados pela indústria ou ainda pela imprensa, que os rotulam", analisa o também produtor, roteirista e ator.

"Cineastas que me inspiram, como Howard Hawks, Sidney Lumet, Sydney Pollack, Roman Polanski, Mike Nichols e mesmo Steven Spielberg, que não tem o crédito que merece por ser tão versátil quanto é, fizeram muitos longas de gêneros diferentes", lembra Mangold. "Não me ponho no nível deles, mas quero continuar aprendendo e melhorando enquanto o mundo me permitir fazer trabalhos diferentes." E ele completa: "Se for dirigir outro filme de ação, quero ter certeza de que seja diferente deste", acrescenta.

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