João Brito/AE
João Brito/AE

APCA premia os melhores de 2010

Entidade de críticos de São Paulo realiza a cerimônia de entrega de troféus no teatro do Sesc Pinheiros

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

31 Março 2011 | 00h00

A Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) realizou, anteontem à noite, a cerimônia de entrega de seus prêmios para os melhores das artes no ano de 2010. A festa de premiação, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, teve como mestres de cerimônia os atores Dan Stulbach e Irene Ravache. A atriz foi ainda uma das premiadas da noite, por sua atuação como Clô na novela Passione, exibida na Rede Globo. "Há muito tempo não recebia um APCA, prêmio da maior importância. Mas um ator não trabalha sozinho, então, se ganhei, é porque tive com quem contracenar", disse Irene ao receber o troféu criado pelo escultor Francisco Brennand.

A cerimônia, dirigida por Alexandre Reinecke, ainda foi intercalada por apresentações da cantora e performer Silvia Machete, premiada como melhor show de 2010. "Quando tentei escrever meu discurso de agradecimento, só pensava: E se o Rock in Rio fosse em São Paulo?", brincou. No total, foram contempladas 11 categorias pela APCA, incluindo, entre elas, a arquitetura, que faz sua estreia na premiação. Antes de todos, o professor e editor Jacob Guinsburg subiu ao palco para receber o Prêmio Especial por seu incansável trabalho na Editora Perspectiva. "Agradeço, mas, sem querer fazer a crítica da crítica da crítica, esse prêmio não é só meu, mas da Perspectiva. É um trabalho coletivo", afirmou Guinsburg, muito aplaudido. Era uma noite de efemérides, já que a APCA foi instituída em 1971 (há 40 anos), tendo como embrião a premiação da Associação Paulista de Críticos de Teatro (APCT), iniciada em 1956 (há 55 anos). Os críticos elegeram os melhores de 2010 em reunião realizada em dezembro.

Brincadeira. Para que a cerimônia fosse mais ágil, Dan Stulbach e Irene Ravache anunciavam os premiados de cada categoria de uma só vez. Todos subiam ao palco para receber, cada um, seu troféu. A brincadeira da cerimônia, levantada por Irene Ravache, foi a de que nesse momento, "um membro" dos grupos fizesse o discurso. Ela mesma riu da expressão, que ao longo da noite, foi referenciada.

Na categoria artes visuais, das mais tradicionais da premiação, a artista gaúcha Regina Silveira recebeu o Grande Prêmio da Crítica pela intervenção Tramazul, que realizou na fachada do Masp (sua criação ainda está no prédio, na Avenida Paulista). "Este foi um prêmio dado a uma obra efêmera de arte pública, um risco que aprecio muito", afirmou Regina. Outro destaque de arte foi a escolha do consagrado designer Alexandre Wollner por seus cartazes. "Depois de 55 anos, o design é reconhecido. Agradeço muito", disse. A guinada da Fundação Bienal de São Paulo depois de anos de crise, conduzida pela nova direção encabeçada pelo empresário Heitor Martins, também foi homenageada como Iniciativa Cultural.

Algumas personalidades mais conhecidas do público não puderam comparecer à premiação. Entre elas, o diretor teatral Gabriel Villela (na categoria Teatro Infantil, venceu pela criação do figurino de O Soldadinho e a Bailarina); a cantora, pesquisadora e apresentadora Inezita Barroso (Grande Prêmio da Crítica em Música Popular); a escritora Adélia Prado (prêmio Poesia em Literatura); e a atriz Ana Paula Arósio (premiada em Cinema por seu papel no filme Como Esquecer).

Mas, ao mesmo tempo, o ator Wagner Moura, grande sucesso como o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite, contemplou a cerimônia, comparecendo e sendo muito aplaudido quando subiu ao palco para receber seu troféu. "É significativo ganhar o prêmio da crítica por um filme que fez grande sucesso de público", afirmou. "É um momento de maturidade do cinema brasileiro. Não precisa fazer filme bobo para o público e nem hermético para a crítica", continuou o ator, dizendo ser uma "bobagem" o tabu quanto ao tema mercado.

Outra aparição importante foi do diretor de teatro Antunes Filho que, na categoria mais tradicional da premiação, foi contemplado com o Grande Prêmio da Crítica de Teatro "pela inestimável contribuição". Mas o encenador de Macunaíma, seu grande marco em 1980, foi de poucas palavras em seu discurso. "Só agradeço aos mestres e ao Sesc, sempre", disse, referindo-se à instituição que promove as atividades de seu Centro de Pesquisa Teatral (CPT).

Já na categoria Rádio, entre os destaques estão a premiação para Juca Kfouri pelos 10 anos à frente do programa CBN Esporte Clube (Grande Prêmio da Crítica). "Como o rei Pelé, soube parar", ele afirmou. E o prêmio de melhor cobertura jornalística para a Eldorado/ESPN pela cobertura da Copa do Mundo. "É uma honra muito grande receber prêmio tão reconhecido. A parceria começou em 2007 e foram 64 jogos transmitidos na Copa", afirmou Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado, no qual está a Eldorado. Esta semana foi lançada a rádio Estadão ESPN e a Eldorado foi preservada, agora em outro dial.

ALGUMAS CATEGORIAS

Teatro

Grande prêmio da crítica: Antunes Filho (foto abaixo); Espetáculo: 12 Homens e Uma Sentença; Diretor: Rodolfo García Vazquez (Roberto Zucco); Autor: Samir Yazbek (As Folhas do Cedro); Ator: Danilo Grangheia (Êxodos); Atriz: Bel Kovarick (Dueto para Um); Prêmio especial: O Idiota

Cinema

Filme: Antes Que o Mundo Acabe; Documentário: Terra Deu, Terra Come (Rodrigo Siqueira); Diretora: Laís Bodanzky (As Melhores Coisas do Mundo); Fotografia: Mauro Pinheiro Jr. (Os Famosos e Os Duendes da Morte); Roteiro: Luis Bolognesi (As Melhores Coisas do Mundo); Ator: Wagner Moura (Tropa de Elite 2); Atriz: Ana Paula Arósio (Como Esquecer)

Arquitetura

Obra em São Paulo: CEU Guarulhos Pimentas, (Mario Biselli e Arthur Katchborian); Obra no Brasil: Sede do Sebrae Brasília (Álvaro Puntoni, Luciano Margotto Soares, Jonathan Davies e João Sodré); Obra no exterior: Museu da Memória e dos Direitos Humanos, Santiago do Chile (Mario Figueroa, Lucas Fehr e Carlos Dias)

Literatura

Romance: Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus (Evandro Affonso Ferreira); Ensaio/Crítica: Ideologia e Contra Ideologia (Alfredo Bosi, foto acima); Infanto-juvenil: Sou Eu! e O Nervo da Noite (João Gilberto Noll); Poesia: A Duração do Dia (Adélia Prado); Contos/Crônicas/Reportagens: Ficção Interrompida (Diógenes Moura); Biografia: Memórias de Um Historiador de Domingo (Boris Fausto); Tradução: Paulo César de Souza (Obras Completas de Sigmund Freud)

Dança

Modelo de Curadoria: Festival Panorama Sesi/Christine Greiner; Percurso: 20 Anos da Lia Rodrigues Cia. de Dança; Pesquisa: Marta Soares (Vestígios); Melhor intérprete: Marina Salgado (Jardim Noturno); Melhor Criador-intérprete: Zélia Monteiro (Seis Estudos para Flutuar); Melhor iniciativa: Projeto Dança para Crianças; Modelo de Difusão: Lugar/João Andreazzi

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