APCA premia os maiores talentos da arte brasileira em 2007

Escritora Lygia Fagundes Telles vence a categoria na categoria livro de memórias com 'Conspiração de Nuvens'

Camila Molina, de O Estado de S. Paulo,

06 de maio de 2008 | 14h01

Quando a escritora Lygia Fagundes Telles subiu ao palco do Teatro Sérgio Cardoso para receber o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) de 2007 na categoria livro de memórias pela obra Conspiração de Nuvens, protagonizou um dos momentos mais emocionantes da cerimônia.   Veja também: Galeria com fotos da noite da premiação    Aplaudida de pé, "a grande dama da literatura", aos 85 anos, disse que "as nuvens também conspiram, cuidado!" assim como "outros amigos" para ela poder ser "lembrada pela segunda vez pela associação", que já a havia premiado anteriormente pelo livro As Meninas. A escritora finalizou seu agradecimento na noite de segunda, 5, citando versos de Castro Alves: "Bendito o que semeia/Livros... livros à mão cheia.../E manda o povo pensar!"   Outra dama aplaudida de pé foi Bibi Ferreira, que recebeu o Grande Prêmio da Crítica de Teatro por sua carreira. "O Teatro é todo entrelaçado, vejo aqui na platéia muitos com quem trabalhei e muitos outros que vou ainda trabalhar. Este prêmio é mais um incentivo", afirmou Bibi, "alegre, bem-disposta e sempre grata". Ela ofereceu seu troféu ao colega Paulo Autran, morto no ano passado.   A cerimônia de entrega dos prêmios da APCA para os melhores de 2007 em nove categorias - Artes Visuais, Cinema, Dança, Literatura, Música Popular, Rádio, Teatro, Teatro Infantil e Televisão (Música Erudita não teve quórum de críticos) - teve como mestres de cerimônia a escritora e apresentadora Fernanda Young e o ator Marcelo Serrado, ambos premiados nessa edição - ela pelo programa Irritando Fernanda Young, exibido no GNT, e ele por seus trabalhos na novela Vidas Opostas, da Record, e na série Mandrake, da HBO. Todos os premiados, já anunciados no fim do ano passado, receberam troféu criado pelo escultor Francisco Brennand. "Gafes, estamos contando com essa parte", brincou a apresentadora.   "Se a festa ficar muito comprida, isso pode me irritar bastante. Por isso vamos começar logo", continuou Fernanda, fazendo menção ao mote do seu programa televisivo - outra brincadeira sua foi dizer que ainda espera ser premiada em literatura.   A primeira categoria a ser apresentada foi a de artes visuais, que contemplou, as mostras Cinéticos (Instituto Tomie Ohtake); Vieira da Silva (MAM-SP); Kurt Schwitters (Pinacoteca); Marc Ferrez (Instituto Moreira Salles); o artista Guto Lacaz por sua obra gráfica; o fotógrafo Vicente de Mello; e a Fundação Ema Gordon Klabin. Os prêmios de literatura vieram logo em seguida. Além da passagem de Lygia Fagundes Telles, Chacal, premiado por seu livro de poesias Belvedere, disse que "a carreira de poeta está em extinção" em seu agradecimento rápido, tal como foram os dos outros premiados.   A categoria teatro infantil, "arte que não é brincadeira", como disse Serrado, comemorou seu reconhecimento em várias premiações na noite. "É um teatro que não deixa a dever ao adulto hoje. Temos várias conquistas, inclusive, de público ávido", afirmou Joana Albuquerque, da Bendida Trupe, que recebeu o troféu de melhor espetáculo por O Tesouro do Balacobaco. Dança veio depois, com seus premiados e uma canjinha da dupla de bailarinos e coreógrafos Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira, que ganharam o troféu por seu percurso de pesquisa e apresentaram na festa trecho de seu espetáculo O Clandestino.    O teatro adulto é área nobre e contemplou o espetáculo My Fair Lady, o projeto Satyrianas, o ator Guilherme Weber, a atriz Renata Zhaneta, o autor Fauzi Arap por Chorinho (ele não esteve presente) e o diretor Gabriel Villela pela direção de Salmo 91. "Como diz o Pascoal da Conceição (ator da peça), só a arte é mais excitante que o crime", disse Villela em seu agradecimento. Logo em seguida veio a categoria rádio, com três premiações para a Rádio Eldorado.   Música, cinema, televisão   Para o final ficaram as categorias de Música Popular, Cinema e Televisão. São as que reúnem as celebridades, principalmente, dessa vez, Selton Mello, premiado por sua atuação no filme O Cheiro do Ralo, Wagner Moura por seu vilão Olavo em Paraíso Tropical e Camila Pitanga por sua Bebel na mesma novela.   Em MPB, Fernanda Takai recebeu prêmio pelo disco Onde Brilhem os Olhos Seus. "Essa obra faz lembrar uma artista importante, inteligente e delicada, a Nara Leão." A cantora Marina de La Riva, prêmio revelação, agradeceu a APCA "por entender que mereço" e foi sentida a falta de Paulinho da Viola, o melhor cantor.   Em cinema, Tropa de Elite (premiado em Berlim), recebeu por montagem (Daniel Rezende) e pela direção de José Padilha, que não esteve presente assim como Eduardo Coutinho, premiado agora por Jogo de Cena. Walter Carvalho, que recebeu o troféu pela fotografia de Baixio das Bestas, de Claudio Assis, dedicou seu prêmio ao diretor Beto Brandt (entre os premiados da noite pelo roteiro de Cão Sem Dono). Já a premiação de televisão se tornou uma espécie de manifesto contra a "aldeia global" nos discursos dos premiados que fazem parte do time da rede Record.

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