APCA celebra os melhores da cultura deSP

A Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) fez a cerimônia de entrega dos prêmios de 2003 que a entidade confere a talentos das áreas de artes visuais, dança, teatro, teatro infantil, cinema, literatura, música popular, música erudita, rádio e televisão, ontem, à noite, no Teatro Municipal de São Paulo. Ao todo, foram 69 premiados. Todos eles receberam o troféu criado pelo artista Francisco Brennand.A cerimônia foi comandada pela dupla Paulo Bonfá e Marco Bianchi, do Rock Gol, da MTV. Além de apresentadores, eles também eram da turma de premiados, justamente pelo programa humorístico que comandam na MTV. De camisa e calça preta e paletó laranja, os dois conduziram a premiação com muito humor e descontração, fazendo piada com tudo e todos.Entre os premiados de artes visuais, o destaque foi o escultor polonês radicado no Brasil Frans Krajcberg, muito aplaudido por seu discurso de agradecimento. Ele fez uma pergunta: como ter paciência e coragem de produzir em um país quase abandonado? Krajcberg falou da decadência dos museus brasileiros e que, apesar dessa situação, ?as entidades ficam preocupadas em construir um Guggenheim no Brasil?.Depois, vieram as premiações de música erudita. O compositor paulista Osvaldo Lacerda, premiado pelo CD Lembranças de Amor, não só recebeu o troféu como foi citado por outros premiados ? José Antônio de Almeida Prado, grande prêmio da crítica, falou de Lacerda como um de seus pais musicais, assim como o pianista Fernando Lopes, escolhido como instrumentista.Na premiação de MPB, Nando Reis, depois de receber o troféu por seu trabalho como compositor, deu ?uma canjinha? para a platéia. Cantou três músicas com seu violão, homenageando grupos que já gravaram suas canções, como o Jota Quest.A seguir, vieram os radialistas. O âncora José Paulo de Andrade, há 30 anos no comando do programa matinal O Pulo do Gato, da Bandeirantes, brincou que ?o gato tem sete vidas? e ainda está lá. Gilberto Dimenstein, comentarista da CBN, disse que o programa que comanda tem sua importância porque faz com que ?São Paulo seja levada a sério? e não seja usada como trampolim para políticos.Em teatro infantil, a produtora Cintia Abravanel foi a mais emocionada, ao receber o prêmio pelo espetáculo O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, inspirado em texto de Jorge Amado. Na premiação de teatro adulto, o grande destaque foi Cleyde Yáconis, atriz que recebeu o grande prêmio da crítica por sua interpretação em Longa Jornada Noite Adentro. Com ?80 anos nesta jornada? e 53 dedicados ao teatro, ela disse ser uma intérprete de muita sorte. O público do Municipal não resistiu e a aplaudiu de pé.E, por fim, as premiações de cinema e TV. Como brincou o apresentador Paulo Bonfá, ainda bem que não estava na lista o filme O Senhor dos Anéis, e por isso, a premiação foi diversificada. O diretor Jorge Furtado, premiado por O Homem Que Copiava, lembrou que em 2003 o cinema brasileiro triplicou seu público.Entre os prêmios de TV, Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão receberam o grande prêmio pela minissérie A Casa das Sete Mulheres; Regina Casé foi ao palco buscar seu troféu pelo programa-relâmpago Cena Aberta, da Globo; o ?ator e tenista? Dan Stulbach, como disseram os apresentadores, foi aplaudido por seu papel na novela Mulheres Apaixonadas; e João Gordo, da MTV, se disse surpreso por ser premiado como entrevistador. ?Nunca tive a intenção de ser apresentador nem sabia da existência dessa tal de CPA?, brincou, referindo-se à APCA. ?Mas me falaram que é um prêmio importante, de uma entidade importante, então eu vim receber.?Rádio Eldorado e a história de São Paulo - Na categoria rádio, o repórter aéreo Geraldo Nunes foi premiado pelo programa São Paulo de Todos os Tempos, da Eldorado AM. Muitos ouvintes o conhecem por seu trabalho sobrevoando a cidade há dez anos. ?Um repórter aéreo vive nos céus, mas não quer dizer que está no mundo da lua?, disse o radialista quando foi pegar seu troféu.O programa pelo qual foi premiado ?resgata a memória da cidade? por meio de depoimentos de moradores. ?Nos bate-papos na redação, começamos a pensar em como a cidade está maltratada e esquecida?, disse Nunes. Foi assim que surgiu a idéia de fazer São Paulo de Todos os Tempos, que vai ao ar aos sábados, às 22 horas, e tem reprises aos domingos, às 6 e às 12 horas.Personagens de São Paulo contam as suas histórias e, conseqüentemente, lembram a trajetória da metrópole e aí está a importância desse trabalho que ?mescla passado e presente?, como diz Nunes, que tem em seu arquivo mais de 500 depoimentos.

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