José Patrício/AE - 06/10/08
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Aos 67 anos, morre o ator Francarlos Reis

Causa da morte não foi informada nem a data e o local do sepultamento do ator

Beth Néspoli, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 16h36

O ator Francarlos Reis, de 67 anos, foi encontrado morto nesta quarta-feira, 8, por um amigo, em seu apartamento em São Paulo. Até o meio desta tarde, a causa de sua morte ainda não havia sido revelada nem havia sido ainda definido se o velório será em Campinas, onde mora sua mãe e seu irmão, ou São Paulo. Francarlos estava no elenco do musical A Noviça Rebelde, cuja temporada não será interrompida. Substituído pelo ator Dudu Sandroni, ele será homenageado no sessão desta noite.

 

Com mais de 60 espetáculos teatrais no currículo, Francarlos iniciou sua carreira em 1970. Quem viu, jamais esquece, por exemplo, da forma como expressava, em atuação a um só tempo contida e intensa, a dor e a indignação de um honesto e apagado funcionário público na peça Em Moeda Corrente do País, que tinha texto de Abílio Pereira de Almeida, direção de Silnei Siqueira, e lhe valeu uma indicação para o Prêmio Shell. Cinco anos depois, mais uma interpretação marcante prova a versatilidade de seu talento. No musical My Fair Lady ele canta, dança e, mais que tudo, brilha ao dar vida ao ‘picareta’ Alfred, um divertido bon vivant que é em tudo oposto ao citado funcionário e lhe valia aplausos calorosos do público ao fim de cada apresentação.

 

Francarlos nasceu em Piracicaba, formou-se em Direito pela PUC de Campinas em 1965 e, em seguida, foi estudar no Rio, sonhando em seguir a carreira de diplomata. Mas uma viagem a Londres, em 1969, onde vê o musical Hair, provoca uma transformação radical em sua vida. Abandona os estudos e, como tinha formação também em música, passou a tocar piano numa boate em Copacabana. "Depois de ver Hair eu não sabia mais o que queria fazer da vida, mas tinha certeza de que não seria advogado", disse em entrevista ao Estado ano passado, às vésperas da estreia de A Cabra, espetáculo dirigido por Jô Soares, no qual contracena com José Wilker.

 

Foi tocando piano na noite que recebeu, do ator Armando Bogus, o convite para fazer teste para um musical. Por uma dessas coincidências da vida, era justamente para a montagem de Hair no Rio. Francarlos fez o teste numa segunda-feira, na terça já ensaiava com integrante do coro do espetáculo. Nunca mais abandonou o teatro. Atuou sob a batuta de grandes diretores brasileiros, entre eles José Renato, fundador do Arena, Jorge Takla, Flávio Rangel, Gianni Ratto, Antônio Abujamra, Fauzi Arap e Silnei Siqueira. Deu vida a personagens criados por Molière, Chekhov, Vianinha, Millôr Fernandes, José Vicente, Gogol, Gorki, Alcides Nogueira, Mário Viana e muitos outros.

 

Todo ator tem seus trabalhos prediletos, não necessariamente os de maior sucesso de público e crítica. Francarlos tinha o seu, era Pasolini, Morte e Vida, texto do francês Michel Azama, encenado no Brasil pelo norte-americano Stephan Yarian. Destacava também entre os espetáculos que mais prazer lhe proporcionaram como ator O Doente Imaginário, de Molière, dirigido por Silnei Siqueira.

 

Atuou pouco em TV, fez uma única novela, Venha Ver o Sol na Estrada, sob direção de Antunes Filho, na Record, em 1973. Fez ainda algumas participações teleteatros, entre eles Vestido de Noiva, mais uma vez sob direção de Antunes. Homem de hábitos muito simples, gostava de encontrar amigos para uma caipirinha no Restaurante Planeta’s. "Não quero chegar ao topo. Sou uma criança com um ideal inatingível: ser gente com todas as letras maiúsculas."

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