Ao masterizar, o máximo de transparência

Masterizar é basicamente criar uma matriz para a industrialização do CD. Mas há diferenças cruciais entre o som de um disco acústico como este de Roberta Sá e um de Ivete Sangalo "pra sair do chão", na concepção do engenheiro de masterização Carlos Freitas. "Eu e Pedro trabalhamos juntos nas duas versões de Vagabundo, de Ney Matogrosso com Pedro Luís e a Parede (o de estúdio e o ao vivo). Ali a gente queria pressão sonora, então você trabalha a masterização de um jeito com compressores e equalização que dá a impressão que o som está te empurrando pra fora, aí você comprime e equaliza muito mais", observa.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2010 | 00h00

No caso da Roberta, "o som tem muita dinâmica". "Então, como Pedro falou, a importância da masterização nesse disco é trazer o máximo possível de transparência sonora, mínimos detalhes de equalização, o processamento é bem menor. Agora o legal da coisa, que ninguém imagina, é que esses discos que são simples e bem feitos soam muito maiores do que os discos pop processados", diz.

Para Freitas, "a música pop está refém de um excesso de processamento", é um padrão preestabelecido e subjetivo de sonoridade que para Pedro faz com que a música perca as sutilezas, não tem respiração. Ele que também já trabalhou nos outros CDs de Roberta, neste fez pouco além de ajustar um grave, um agudo, mexeu um pouco no volume de voz em algumas faixas e tirou o excesso de vibrato em outra. "A masterização não é lapidar a pedra bruta, é polir a pedra lapidada."

Com décadas de experiência com engenharia de som e masterização, Freitas já trabalhou em mais de 3 mil discos desde 2000, quando saiu da Cia. de Áudio para criar a Classic Master. Com a mudança de formato na comercialização da música, o processo também é outro. "Antigamente o disco tinha uma ordem: crescia, diminuía, depois crescia de novo. E não só em termos de música, mas em termos de som também. Em uma ou outra faixa a gente deixava um pouco mais abafado o som pra dar uma impressão diferente. Hoje você pensa no Itunes, onde as pessoas fazem a própria ordem das faixas. As músicas hoje são muito mais ligadas entre si, antes dependiam muito da ordem. Hoje, além de ser alto, o volume tem de ser muito parecido entre todas elas, pra que se você fizer uma ordem randômica (aleatória) o disco soe bem."

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