Antunes Filho estréia novo espetáculo, 'Foi Carmen'

Diretor cria montagem sem palavras para homenagear o butô de Kazuo Ohno e o samba de Carmen Miranda

Beth Néspoli, de O Estado de S. Paulo,

19 de maio de 2008 | 17h24

Foi Carmen, uma montagem dirigida por Antunes Filho, criada em 2005 nas comemorações dos cem anos do mestre do butô Kazuo Ohno, entra em cartaz a partir desta terça-feira, 20, no Teatro Anchieta, em homenagem aos cem anos de imigração japonesa no Brasil.  Veja também: Antunes fala sobre 'Foi Carmen' e formação do público  Nesse espetáculo sem palavras, que Antunes Filho define como dança-teatro, a linguagem do butô e do samba se mesclam. Para tanto, o diretor inspirou-se num outro mito: a cantora ‘brasileira nascida em Portugal’ Carmen Miranda.  É dela a voz que ouvimos, vinda de antigos LPs, enquanto imagens vão surgindo no palco. Lúdico, divertido, o início é quase uma gênese de toda arte: Carmen menina (Paula Arruda) cria gestos da futura artista e compartilha sua expressão com um trio sisudo de tias, o primeiro público a aplaudi-la. A tristeza vem depois, num dueto entre passista (Patricia Carvalho) e malandro (Lee Thalor). Coreograficamente, há um momento impressionante de união entre samba e butô realizado pela dançarina Emily Sugai.  Difícil imaginar, à primeira vista, uma conexão entre samba e butô. Em Foi Carmen há uma dança triste unindo Carmen e o Malandro. O butô e samba se encontram na dor? É melancólico, porque é uma visão do que já passou. Por isso ‘foi’ Carmen. Observe que ela é sempre vista de costas, mesmo quando está de frente. É como ver uma pessoa no fundo de uma rua e lembrar de alguma coisa distante no tempo. É uma coisa meio perdida na sua cabeça, como se você visse uma pessoa dobrando uma esquina, entende? É meio chapliniana; felliniana também. O que eu tentei fazer foi pegar esse tempo do butô, aprendi no Oriente, que é um tempo largo e permite ir pouco a pouco desfiando o inconsciente. Primeiro o espetáculo vai trazendo o seu subconsciente, depois o seu inconsciente. Foi isso que tentei fazer. Por isso peço relax ao público, relaxa. Eu dou estímulos, crio imagens estimulantes, mas quem faz o espetáculo é o espectador e cada um faz diferente do outro. Por isso eu falei antes sobre o palco vazio do Kazuo Ohno, que tem uma super abundância de coisas. São coisas do teu inconsciente, solicitadas por meio das imagens propostas. Não existe teatro antes do espectador nem sem ele. Artistas e técnicos criam uma estrutura para a divagação do público.   Foi Carmen. 55 min. 14 anos. 3.ª, 21 h. R$ 10. Até 29/7Senhora dos Afogados. 90 min. 12 anos. 6.ª e sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 20. Até 27/7O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade. 50 min. 14 anos. 6.ª, 21 h. R$ 20. Até 25/7Prêt-à-Porter 9. 80 min. 12 anos. Sesc Consolação. R. Dr. Vila Nova, 245, 3234- 3000. Sáb., 18h30. R$ 10. Até 30/8

Tudo o que sabemos sobre:
Carmem Miranda

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.