Antunes Filho dá novo rumo à dramaturgia nacional

Um dos maiores encenadores brasileiros, autor de montagens definitivas como Macunaíma e uma leitura particular da obra de Nelson Rodrigues, Antunes Filho está inquieto em relação à estréia hoje, para convidados, no Sesc Consolação, de O Canto de Gregório, texto de Paulo Santoro que marca sua volta aos palcos desde Medéia, de 2002. "É uma peça que difere das demais em cartaz pois, dois dias depois, o espectador ainda vai estar com ela na cabeça", comenta.Escrito ainda nos anos 1990, o texto foi aprimorado no Círculo de Dramaturgia do Centro de Pesquisa Teatral (CPT) do Sesc, que Antunes inaugurou em 1999. "Desde então, foi desenvolvido de uma forma mais clara", conta Santoro. Gregório (interpretado por Arieta Corrêa) é um personagem inquieto com o sentido de suas próprias ações. Sozinho em seu canto, ele busca uma ética, conversando com mitos da religião e filosofia (Sócrates, Buda, Jesus) até armar um cenário para ser julgado pelo crime de não ser um bom homem. "Eu buscava o contexto certo para ambientar a história", conta Antunes que, com O Canto do Gregório, vai se aproximando daquilo que define como um novo rumo para a dramaturgia nacional. O processo começou com o Prêt-à-Porter, série de exercícios experimentais em que os atores cuidam da encenação e da dramaturgia. O objetivo é que o ator, com técnica e consciência de sua arte, descubra-se dono de sua expressão. Ciente de que o mais difícil é chegar ao mais simples, Antunes percebeu que a montagem de O Canto de Gregório deveria ocorrer no próprio espaço do CPT, localizado no 7.º andar da unidade Consolação do Sesc. "Como a direção é fundada essencialmente no trabalho dos atores, não há necessidade de recursos sonoros ou visuais", justifica o diretor, que pediu ao cenógrafo J.C. Serroni que adaptasse a sala de ensaios para receber a platéia. "Dispensamos até o uso de iluminação, que será feita pelas lâmpadas da sala", conta a atriz Juliana Galdino, que faz os personagens de Jesus e do Juiz. Elenco e diretor acreditam dar um decisivo passo no trabalho de um teatro inteligente.O Canto do Gregório - De Paulo Santoro. Direção Antunes Filho. 50 minutos. 14 anos. Sábado, 21 horas; domingo, 19 horas. R$ 20. Até 19/12. Estréia sábado.

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