Arquivo pessoal
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Antônio Torres é eleito para a ABL

Escritor baiano, que tem 73 anos, recebeu 34 dos 39 votos possíveis

Roberta Pennafort/ RIO, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2013 | 16h40

Atualizado às 17h30

Depois de duas tentativas frustradas, o escritor baiano Antônio Torres foi eleito ontem, com 34 votos, para a Academia Brasileira de Letras. O novo imortal ocupará a cadeira 23, fundada pelo primeiro presidente da ABL, Machado de Assis, e com tradição baiana: foi ocupada por Otávio Mangabeira, Jorge Amado e Zélia Gattai antes de pertencer ao jornalista carioca Luiz Paulo Horta, que morreu em agosto.

“É o começo de uma nova etapa na minha vida. É um momento muito especial entrar para uma casa para escritores, um lugar do pensamento, em que se trabalha bastante. E não deixa de ser o coroamento de uma carreira”, ele comemorou.

A celebração foi na casa de amigos, no Rio (há cinco anos Torres se mudou para Itaipava, na região serrana do Rio, em busca de mais sossego).

“Meu contato com a casa aumentou desde 2000, quando recebi o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra (o mais prestigioso da ABL). Foi a academia que me disse que eu tenho uma obra. Até então, não tinha me dado conta”, contou ainda o escritor, que tem muitos amigos entre os imortais, como Nélida Piñon, Arnaldo Niskier, Domício Proença, Antonio Carlos Secchin e os baianos João Ubaldo Ribeiro e Eduardo Portella, além da presidente, Ana Maria Machado.

“Ele merecia há muito tempo”, disse Ana Maria após a decisão. Trinta e seis dos 39 integrantes votaram, presencialmente e por carta. Dois votaram em branco. Com a eleição, a academia está agora com suas 40 cadeiras ocupadas.

É o primeiro romancista “à vera” eleito em uma década – de lá para cá, predominaram poetas, ensaístas, jornalistas e escritores que fizeram não só romances. Favorito na disputa, Torres, que tem 73 anos, derrotou cinco candidatos que não tinham cabos eleitorais: Blasco Peres Rêgo, Eloi Angelos Ghio, José William Vavruk, Felisbelo da Silva e Wilson Roberto de Carvalho de Almeida.

Ele já havia tentado ingressar na casa em 2008, quando Horta foi eleito, e em 2011, ano em que o vencedor foi o jornalista Merval Pereira. “Tentei pela primeira vez porque amigos meus da Bahia me convenceram de que a cadeira tinha tradição baiana”, lembrou.

Torres nasceu num pequeno povoado, hoje a cidade de Sátiro Dias, no interior da Bahia, a 13 de setembro de 1940. Em Salvador, tornou-se repórter do Jornal da Bahia. Aos 20 anos, se mudou para São Paulo, cidade em que trabalhou na Última Hora, antes de mudar para a área de publicidade. Depois radicou-se no Rio. Passou então a se dedicar somente à literatura.

Ele publica seus livros há quatro décadas e foi traduzido na América Latina, Europa e Estados Unidos. Na França, foi condecorado, em 1998, Chevalier des Arts et des Lettres, distinção dada a pessoas que contribuem para o desenvolvimento das artes e das letras na França e no mundo.

O primeiro dos onze romances foi aos 32 anos: o romance Um Cão Uivando para a Lua, considerado pela crítica um dos melhores de 1972. Em 1976, Essa Terra, sobre o impacto da cidade grande sobre o migrante nordestino, foi aclamado. Em 2007, saiu Minu, o Gato Azul, para crianças. Em 2007, lançou Sobre Pessoas, reunião de crônicas, perfis e memórias. Foram dezesseis títulos publicados; um novo romance está no forno há anos, segundo ele.

 

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