Antonio Prata lança primeiro livro

Um jovem escritor, de 24 anos, 1,69 m e quatro graus de miopia lança amanhã seu primeiro livro. Trata-se da reunião de crônicas e contos Douglas e Outras Histórias, assinada por Antonio Prata (Azougue, 108 págs., R$ 20). "Aos 14 anos, escrevi o meu primeiro texto que não era redação escolar", conta. Antonio atualmente é jornalista, profissão que lhe paga as contas desde os 19 anos. Se tudo correr de acordo com os seus planos, claramente expostos num prefácio que é, ao mesmo tempo, uma declaração de princípios, isso deve mudar: "Afinal, não sabendo cantar nem jogar futebol, desconhecendo profundamente ossegredos da advocacia, da quiromancia e da cardiologia, só me restaram dois caminhos: a literatura ou o crime."Para outros, a opção seria simples. Não para ele. "Como a marginalidade, em nosso país, é um terreno por demais concorrido, que exige muito preparo, competência e anos de especialização, preferi o caminho mais fácil." Esse é o tom do livro, definido pelo próprio Antonio Prata como de humor. Entre os escritores que "procura imitar" (não é imodesto o suficiente para dizer que escreve como eles) estão Millôr Fernandes e Luis Fernando Verissimo.De certo modo, Antonio Prata segue o caminho do pai, o também escritor - e cronista - Mario Prata. "Nunca optei pela crônica, eu sento para escrever e sai do jeito que sai", contra-argumenta o filho. "Meu pai morava em Portugal e não escrevia crônica, pelo menos não com a freqüência de hoje, quando eu comecei a fazê-las; mas talvez nós tenhamos mesmo um modo parecido de ver o mundo", completa.A crônica que dá título à obra estranha profundamente um fato simples da vida cotidiana: o de que há muita gente chamada Douglas no mundo. Antonio Prata começa assim o texto: "Se o mundo tivesse algum sentido não seria possível existir o nome Douglas. Fale em voz alta. Douglas. Douglas-Douglas-Douglas. Você está percebendo? Está sentindo? Às vezes me pergunto se não era sonho, se é realmente possível existirem Douglas."Por telefone, Antonio justifica porque essa pequena questão existencial foi alçada à capa da obra. "Douglas é a cara do livro, o humor que há nele também está nos outros textos que são bastante diferentes uns dos outros." Mas quem podeconfiar em entrevista com autor de livro: no mesmo prefácio, ele dá outra justificativa: "Esse título, Douglas, eu o pus porque não me veio à cabeça nenhum outro. E estando a palavra no meupensamento, sem dar nenhum sinal de que dali sairia, resolvi usá-la, para ver se assim ela vai se gastando, até que um dia saia por completo."Douglas e Outras Histórias. De Antonio Prata. 108 págs., R$ 20. Azougue Editorial (tel. 0--21 2239-6606). Lançamento amanhã (13), às 19h30, no bar Filial (Rua Fidalga, 254, Vila Madalena).

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