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Antonio Meneses estreia hoje na Osesp

Violoncelista participa do seu primeiro concerto da temporada como artista residente da Orquestra

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2012 | 03h07

O violoncelista pernambucano Antonio Meneses faz hoje sua estreia com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Uma nova estreia, seria melhor dizer. Colaborador antigo do grupo, ele vai ocupar em 2012 a posição de artista residente. Sua presença na temporada não se limitará apenas a um concerto - serão quatro, divididos ao longo do ano. Nessa primeira etapa, ele toca com o pianista José Feghali, hoje, na série de câmara do grupo; e, quinta, sexta e sábado, será solista no concerto de Dvorak, regido por Marin Alsop. A segunda etapa será em novembro, com recital ao lado do Quarteto da Osesp e três espetáculos com a orquestra, quando vai estrear o concerto para violoncelo do compositor brasileiro Marcos Padilha.

"Será interessante trabalhar mais intensamente com os músicos do grupo, desenvolver com a orquestra uma relação diferente, assim como com o público", diz ele na manhã de segunda, pouco antes de começar a ensaiar com Feghali. Os dois já se apresentaram juntos em outras ocasiões - a primeira vez foi na adolescência, em um concurso realizado pela TV Globo no Rio. "Mas faz tempo que não fazemos um recital juntos e por isso buscamos um repertório que fosse familiar aos dois", conta Meneses. O recital terá a Pequena Suíte para Violoncelo e Piano, de Villa-Lobos; a Sonata para Violoncelo e Piano Op. 40 de Shostakovich; e a Sonata em Lá Maior de César Franck, escrita originalmente para violino e piano, em arranjo de Jules Delsart para violoncelo e piano.

Nas apresentações de quinta, sexta e sábado, o intimismo da música de câmara dará lugar ao arrebatamento romântico do concerto para violoncelo de Dvorak - peça que Meneses já gravou com a própria Osesp, comandada então pelo maestro John Neschling. A obra foi escrita em meados da década de 1890, quando o compositor vivia em Nova York - e lidou com o desafio de uma peça em que a sonoridade do violoncelo e a massa orquestral pudessem coexistir em equilíbrio. "Isso se mostra um problema em algumas passagens, mas a escrita dele é bastante violoncelística, ele realmente se aproxima dessa harmonia entre as partes", diz Meneses. "E é interessante o diálogo que cria entre o solista e os instrumentos de sopro, ele soube combiná-los em um trabalho de gênio. Além disso, é uma obra longa, onde são utilizados todos os recursos possíveis do instrumento, tanto o cantabile como o virtuosismo, dando ao solista a oportunidade de mostrar tudo o que sabe. E é emocionante, apela para o coração do ouvinte e do intérprete também."

Talvez por isso, tenha se tornado peça fundamental do repertório do instrumento, "que nunca se cansa de tocar". Para o público que for à Sala São Paulo, Meneses ressalta uma passagem que lhe parece mágica. "No segundo movimento, na coda, que cria uma atmosfera de paz, de tamanha felicidade..."

Estreia. A música de câmara entrou de vez na vida artística de Meneses depois da sua atuação no Trio Beaux Arts, ao lado do pianista Menahem Pressler e do violinista Daniel Hope. E, com o Quarteto da Osesp, em novembro, ele vai mostrar essa faceta ao interpretar o Quinteto de Schubert. No entanto, outro aspecto de sua trajetória, desenvolvido nos últimos tempos, também terá destaque quando ele voltar à Sala São Paulo no fim do ano. Meneses tem encomendado uma série de peças a compositores brasileiros, motivado pelo fato de que se deu conta "de que não sabia o que andava sendo feito por aqui".

"Aos poucos, a importância desse repertório foi aumentando, ganhando um espaço que não quero perder." Entre os nomes que mais lhe agradam no panorama atual está o de Marcos Padilha, de quem ele fará a estreia do concerto para violoncelo. "Comecei recentemente a dar uma olhada na peça", diz ele. "Parece bastante interessante, muito profunda. É escrita em um só movimento", conta.

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