Antonio Meneses, em dois tempos

Violoncelista toca hoje com a Sinfônica de Heliópolis e, na segunda, faz recital com a cravista Rosana Lanzelotte

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2013 | 02h07

Solos, duos, trios, concertos com orquestra - a diversidade tem sido uma marca da carreira do violoncelista brasileiro radicado na Suíça Antonio Meneses. E, a partir de agora, será colocada à prova - em pouco mais de 48 horas. Hoje, ele toca com a Sinfônica de Heliópolis o concerto de Lalo para violoncelo e orquestra, na Sala São Paulo, sob regência do maestro Isaac Karabtchevsky. E, na segunda, junta-se a uma parceira de longa data, a cravista Rosana Lanzelotte, para um recital dedicado a Bach, parte da temporada de câmara da Sociedade de Cultura Artística.

"Quem quiser ver as duas apresentações mal vai acreditar que é o mesmo instrumento", brinca Meneses em conversa com o Estado, após ensaio em Heliópolis, no começo da tarde de ontem. "A peça de Lalo é extrovertida, carregada de paixão, que contrasta com a música mais sóbria de Bach", explica.

Meneses construiu sua carreira entre estes dois mundos - e tantos outros sugeridos pelo repertório tradicional e por novas obras que ele próprio encomenda a compositores brasileiros. Solista de reputação internacional, define o período como membro do Trio Beaux-Arts, na primeira década dos anos 2000, como fundamental na definição de sua maturidade como artista. O trio encerrou as atividades há três anos - mas dele ficou o trabalho em duo com o pianista Menahem Pressler, que convive com a parceria com outros músicos de importante quilate, como a portuguesa Maria João Pires - os dois gravaram no ano passado um disco dedicado a Beethoven, que o selo Deutsche Grammophon já lançou no Japão e em breve coloca no mercado europeu e norte-americano.

A agenda de Meneses em Heliópolis não se resume ao concerto de hoje (que também terá a Sinfonia n.º 8 de Dvorak). Nos últimos dias, ele também deu masterclasses para os violoncelistas do Instituto Baccarelli. "Tem sido uma experiência bacana. Nesse contato rápido, a esperança é de que eu tenha conseguido ajudar de alguma forma. E os ensaios foram bastante produtivos, o resultado do trabalho feito pelo maestro Karabtchevsky me parece ótimo."

Meneses confessa ter escolhido o concerto de Lalo por ele ser raramente mostrado no Brasil. "E fazia tempo que eu não tinha a chance de tocá-lo", explica. Para ele, chama atenção o fato de que, na peça, o violoncelo tem uma posição protagonista constante - além dos contrastes sugeridos pelo compositor. "O primeiro movimento é bastante dramático; o segundo, é uma mistura de tempo lento com scherzo. E o terceiro, é bastante brilhante e alegre. São muitas as emoções reunidas e isso é um desafio para o solista, até por conta do protagonismo a que me referia há pouco. Você tem que dar o seu recado o tempo todo, e isso exige uma boa concentração o tempo todo."

Mais do que isso, o concerto de Lalo, estreado em 1876, permite a Meneses realizar um sonho antigo, ainda que de forma indireta. "Eu sempre quis ser cantor", ele conta. "E o compositor aqui faz com o que o violoncelo cante a todo instante."

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