Antonio Grassi deixa a Funarte e vai para Inhotim

Deixou nesta quinta-feira o governo o ator Antonio Grassi, último homem forte da gestão da ex-ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Grassi estava à frente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) desde 2011 e será substituído interinamente pela diretora Myriam Lewin.

JOTABÊ MEDEIROS, Agência Estado

05 de julho de 2013 | 11h25

Grassi assume nos próximos dias o cargo de diretor-adjunto de projetos paralelos no Instituto Inhotim, museu localizado em Brumadinho (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele inclusive tem casa lá, porque é de Minas. "Inhotim tem inúmeras possibilidades, como por exemplo, se tornar cada dia mais um espaço para grandes espetáculos de artes cênicas, dança e música."

Grassi disse à reportagem nesta quinta que sai "numa boa", e que sua saída não se deve a supostos atritos com a atual ministra Marta Suplicy. "Já tinha falado com ela há muito tempo sobre meu desejo de sair. Ela achou que eu deveria terminar bem o que havia iniciado. Já estava cansado, na gestão pública é importante a renovação. Aproveito e dou uma reciclada. Acredito e apoio a gestão da Marta, se ela precisar de mim estou à disposição", disse.

Ele destacou, entre suas realizações, ações no âmbito internacional, como o Ano do Brasil em Portugal e a Feira de Frankfurt; a política de residência artística para ocupação dos teatros ("Apesar dos atropelos e das dificuldades") e a "permanência dos editais".

A Funarte tem cerca de R$ 130 milhões de orçamento. Desse total, cerca de R$ 70 milhões são destinados a editais. No ano passado, Grassi foi muito criticado por publicar uma portaria decretando sigilo nos projetos contemplados por editais, o que foi considerado um tipo de "blindagem" e exemplo de falta de transparência.

Bolsa de apostas - Com a saída de Antonio Grassi, crescem os nomes na bolsa de apostas para ocupar a Funarte. O ator Celso Frateschi, ex-secretário de Cultura de Marta Suplicy quanto esta foi prefeita de São Paulo, é um nome mencionado. Ele já presidiu a Funarte e se demitiu ruidosamente em 2008. Outro nome mencionado é o da atriz Patrícia Pilar, o que atenderia à disposição de Marta de nomear mais mulheres para postos do ministério. Uma das medidas especuladas é a transferência da gestão da Funarte para Brasília, tirando-a da eterna esfera de influência dos cariocas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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