Antonio Dias expõe no MAM

O País Inventado é o nome da mais importante exposição da obra de Antonio Dias realizada em solo brasileiro. Mas da série homônima de trabalhos que deu origem ao título, apenas uma obra foi incluída.Trata-se de uma instalação, cujo objeto central, uma bandeira vermelha, traz o retângulo com um dos ângulos retos extraídos, uma superfície-símbolo da trajetória de mais de três décadas com momentos pontuais e distintos organizados nessa antologia, que será aberta na quinta-feira para convidados e na sexta para o público, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).A verdade é que poucas instalações participam da exposição com curadoria de Sônia Salztein, que, na avaliação do próprio artista, é a mais significativa mostra sobre o seu trabalho. O forte da antologia são as pinturas do artista, que representam uma extensão maior de seu trabalho. "As instalações foram mais esporádicas", comenta.Mas, embora tenha produzido menos instalações, algumas delas, como a incômoda Todas as Cores do Homem, de 1996 (composição de tubos acrílicos, que remetem a órgãos sexuais masculinos e também femininos, ao mesmo tempo que lembram tubos de ensaio e ossos humanos), tiveram uma repercussão grande no mundo das artes.Muitas delas foram mostradas recentemente em Salvador e em Curitiba, em outros recortes que também participam de um grande pacote que homenageia o artista. Patrocinado pela Petrobras e com apoio da Bradesco Seguros, o conjunto de atividades terá ainda uma exposição no Museu de Arte Moderna do Rio, o lançamento de um livro e um CD-ROM sobre a obra e a trajetória do pintor paraibano.Com 36 trabalhos (o espaço do MAM não comportaria muito mais do que isso), a seleção de Sônia contempla um período que vai de 1965 a 1999, sendo que a mais antiga delas, O Laço - Eu e Você, foi incluída na última hora na exposição. A mais recente, no entanto, pode ser tida como um dos pontos de partida para a compreensão do conjunto proposto pela curadora para sintetizar a obra de Antonio Dias.Pessoa Nefasta, da série Antologias, traz a imagem da superfície retangular recortada, uma espécie de assinatura que surge em diferentes momentos da vida do artista, revista por distintos experimentos com materiais e também diversas leituras afetivas e políticas. Neste caso, a mais nova cruz de Dias é tingida de cores vitais em tinta acrílica e aplicações em folhas de ouro.Razão dialética - Essa forma em L, como define a curadora no texto do livro, representa uma das leituras do trabalho de Dias, uma compreensão ao mesmo tempo histórica e simbólica. Sônia escreve que "não se pode deixar de associar a silhueta residual de um ângulo reto à imagem da cruz, ao neoplasticismo de Mondrian e ao suprematismo de Malevitch". E que a cruz, por sua vez, "sintetizaria a culminação da própria razão dialética que enervou a arte moderna".Ainda que a curadora tenha selecionado trabalhos que perpassam as mais de três décadas de Antonio Dias (que por sua vez faz questão de afirmar que a escolha ficou inteiramente a cargo de Sônia), ele próprio evita o termo retrospectiva.Não se pode compreender esse confrontamento de linguagens, materiais, inserções históricas e momentos da vida do artista com uma linha do tempo. Mesmo porque, a mostra é composta por concentrações em alguns períodos mais significativos. São mais numerosas, por exemplo, as obras produzidas entre 1968 e 1970 e em 1980. "Além do que, não me sinto pronto para uma retrospectiva", comenta o pintor, inteiramente satisfeito com a versão paulistana, a menos numerosa e mais densa visão sobre seu trabalho."Há muito tempo meu trabalho é visto em São Paulo apenas por um seleto grupo que freqüenta as galerias de arte. Estou muito feliz também pelo fato de meu trabalho poder ser visto no Brasil em um museu que atrai um público jovem", festeja.Cronologia ilustrada - "Além disso, a mostra é muito plena ao lançar luz sobre momentos de minha vida, como a transferência (período em que o artista trabalhou com foligem sobre vidro), a madeira recortada, o papel nepalês ou o granito e mármore", continua.Embora esses momentos sejam representados por poucos trabalhos na mostra, o livro, que será lançado também na quinta-feira à noite, reúne 87 ilustrações e uma bela cronologia ilustrada. "Vejo a mostra e o livro como suportes complementares", diz. Ainda sem preço, o livro Antonio Dias - O País Inventado tem coordenação da própria curadora, design gráfico de Rara Dias (filha do artista) e Tatiana Cerveira, apoio do Instituto Takano e patrocínio da Petrobras. Com 40 páginas, a obra está prevista para chegar às livrarias de São Paulo ainda neste mês.Antonio Dias. De terça, quarta e sexta, das 12 às 18 horas; quinta, das 12 às 22 horas; sábado e domingo, das 10 às 18 horas. R$ 5,00. MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo. Parque do Ibirapuera, s/n.º, portão 3, tel. 549-9688. Até 8/4. Abertura às 19 horas. Patrocínio: Petrobras

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.