Antônio Aguillar lança livro sobre história do rock no País

Embaixador do rock em São Paulo bastante popular, sobretudo, nos anos 60, o jornalista, fotógrafo, homem de rádio e televisão Antônio Aguillar, hoje com 76 anos, lançou recentemente o livro Histórias da Jovem Guarda, escrito em parceria com a filha, Débora Aguillar, e o escritor Paulo Cesar Ribeiro. Entusiasta do movimento musical jovem no Brasil e descobridor de talentos, Aguillar define a obra como um "um resgate de histórias de bastidores", de tudo o que viveu. Apesar do título, não se trata de mais um livro trazendo as tais histórias da Jovem Guarda. Claro que Aguillar traz recordações desse movimento da música, já que boa parte dos artistas que nele se inseriram passaram por seus programas. Foi o caso de Roberto Carlos. Jovem tímido e carismático, que já fazia relativo sucesso no Rio, Roberto soube que, em São Paulo, quem aparecia nos programas de Antônio Aguillar ficava conhecido. "D. Laura, mãe dele, era amiga de Chacrinha, que me pediu para dar uma força", recorda o apresentador. "Roberto queria participar do programa toda semana, ele havia gravado Malena, que não tinha nada a ver com música jovem." Naquela época, cantava boleros e bossa nova. Depois do estouro de Splish Splash, Roberto passou a ser habitué não só do programa de Aguillar, como de outros também." Mais tarde, quando o apresentador deixou a Record, o futuro ´Rei´ foi convidado pela direção para assumir o novo programa jovem do canal, que chamaria Jovem Guarda, e foi se aconselhar com Aguillar. "Ele perguntou: ´O que acho que devo fazer? Falei que se ele não fizesse, outro iria fazer. Orientei a fazer contrato." Histórias da Jovem Guarda mais se atém ao cenário que precedeu a Jovem Guarda. Aguillar organiza, com ajuda dos co-autores, as memórias de um período em que o rock começou a ganhar fôlego no País e encontrou espaço nos programas de rádios e de TV por ele comandados. Num período em que a sociedade conservadora via com maus olhos aquele novo ritmo, Aguillar investia - com sucesso - no segmento, para alegria dos jovens reprimidos e horror de pais e autoridades. Não raro, recebia represálias. Sua ligação com o movimento jovem veio de anos antes, quando era repórter fotográfico do Estado. Em 1958, estava no Cine Art Palácio, durante a exibição do filme Rock Around the Clock, e registrou o quebra-quebra promovido por jovens alucinados por rock. Aquela cena mudou o rumo de sua vida. No ano seguinte, partiu para a Rádio Excelsior, onde começou a produzir e apresentar programas de auditório. Passou ainda pela Rádio Nacional e emissoras de TV, como Paulista e Excelsior. Hoje, relembra os velhos tempos aos domingos, ao meio-dia, no programa Festa de Arromba, na Rádio Capital AM.

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