Antônio Abujamra narra memórias no filme 'Solo'

Exibido na 33.ª Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo, no ano passado, o filme "Solo", de Ugo Giorgetti, entra, a partir de hoje, em circuito, trazendo um momento muito particular da obra do cineasta paulistano. Ao contrário de seus outros longas-metragens, como "Sábado" e "Boleiros 1 e 2", este não tem enredo, tampouco um grande elenco. São várias recordações contadas em primeira pessoa, por um único personagem, interpretado com a carga teatral já conhecida nas atuações do ator e diretor veterano Antônio Abujamra. São histórias simples, que ganham um sabor especial em suas narrativas.

AE, Agência Estado

21 de maio de 2010 | 10h32

Apesar de o próprio Giorgetti considerar limitador afirmar que ele faz um cinema paulista, São Paulo está, mais uma vez, num filme seu - não de corpo presente, como das outras vezes, mas nas referências. Em seus monólogos, o simpático personagem urbano interpretado por Abujamra fala de seu apartamento no Pacaembu, da Avenida Paulista e da passada de mão que sua mulher levou de três vagabundos no bairro de Santo Amaro dos anos 60, quando eles ainda nem eram casados.

É uma espécie de teatro gravado, cujos elementos cênicos se restringem apenas a um cenário, que muda com auxílio de efeitos especiais, e uma cadeira em que o personagem principal, sentado, relata os causos de um paulistano solitário, que está envelhecendo na cidade. As instalações vistas no longa são todas na TV Cultura.

Minimalista ao extremo, o filme não tem reviravoltas. A atenção - ou não - do espectador está diretamente ligada ao poder de dramaticidade e retórica de Abujamra. E o homem de "Provocações" sabe fazer isso como poucos. Se você espera ver explosões ou perseguições, é melhor procurar outra sala de cinema. Em tempo: no próximo mês, Ugo Giorgetti começa a rodar outro longa, "Corda Bamba". Mais uma vez, o filme será ambientado em São Paulo - nesse caso, a história se passa em 1971. Nele, o cineasta retratará os anos de chumbo sob o olhar daqueles que fizeram resistência à Ditadura, mas não pegaram em armas. As informações são do Jornal da Tarde.

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