Antiquário rouba US$ 3 milhões em mapas raros

Inteligente e educado, quase um "perfeito cavalheiro", o antiquário E. Forbes Smiley III roubou quase cem mapas raros de vários museus dos Estados Unidos, que reunidos chegam a um valor estimado que supera os US$ 3 milhões, que depois tentou vender na internet.Confiante e sorridente, apesar de estar diante de uma condenação quase certa, Smiley disse ao juiz esta semana que "não sabia que estava fazendo algo ruim", mas que agora estava consciente de seu erro e se arrependia de suas ações.Em uma história que lembra filmes de Hollywood sobre roubos, a vida de um dos marchands de mapas mais reconhecidos dos EUA mostra que, mais uma vez, a realidade supera a ficção.Smiley se familiarizou com o mundo dos colecionadores de mapas pouco depois de se formar na Universidade de Hampshire, enquanto trabalhava no departamento de mapas em uma loja de departamentos em Nova York.Quando a loja fechou, Smiley decidiu trabalhar sozinho na cidade, ampliando pouco depois o negócio com um escritório em Martha´s Vineyard, onde vive com sua mulher e seu filho.Cheio de dívidas, o especialista decidiu tomar um caminho fácil para solucionar seus problemas fiscais e iniciou uma "caça ao tesouro" que o levou a roubar 97 mapas das principais bibliotecas e arquivos do nordeste dos EUA.Prestígio facilita ação Precedido por seu prestígio como especialista em mapas antigos e raros, Smiley conseguiu ganhar a confiança dos empregados das principais bibliotecas do país, sobretudo da região de Nova Inglaterra, no nordeste dos EUA.As portas dos arquivos mais importantes da região foram abertas para Smiley, como os da Universidade de Yale e das bibliotecas de Boston e Nova York.Nesses últimos lugares o especialista roubou respectivamente 34 e 32 mapas, que se juntaram aos 20 que tirou de Yale, oito da Universidade de Harvard e dois da Livraria Newberry de Chicago.Equipado com ferramentas de alta tecnologia, o marchand pesquisava milhares de livros em busca de peças únicas que poderiam adquirir um alto preço no crescente mercado de colecionadores de mapas.Escolhida sua presa, Smiley usava um bisturi laser de cirurgião para danificar a peça o menos possível e separá-la da encadernação. Depois, o antiquário oferecia o mapa a seus clientes ou tentava vendê-lo em seu site.No entanto, uma simples distração provocada pela pressa - o especialista esqueceu uma de suas ferramentas no "lugar do crime" - fez com que os bibliotecários da Universidade de Yale colocassem o FBI em seu encalço.Smiley foi preso em 8 de junho de 2005 e o FBI encontrou em sua pasta oito mapas, entre eles um mapa único do século XVI, que no mercado poderia valer US$ 500 mil.Entre os documentos roubados mais valiosos se destaca um mapa chamado "Speculum Orbis Terranum", datado de 1578, com um valor estimado de US$ 150 mil.Também foi encontrado em seu poder um mapa da Nova Inglaterra desenhado pelo Capitão John Smith - fundador da cidade de Jamestown, que se relacionou com a princesa indígena Pocahontas - avaliado em US$ 50 mil.Graças a sua colaboração com as autoridades, o que possibilitou encontrar e devolver os mapas a seus legítimos donos, Smiley conseguiu reduzir uma possível pena de 60 anos de prisão para apenas seis.Além desta possível punição, o marchand deverá pagar também uma indenização de US$ 1,8 milhão a seus clientes, por isso teve que colocar quase todas as suas propriedades à venda.

Agencia Estado,

03 de julho de 2006 | 20h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.