Antigos freqüentadores vão recriar o Circo Voador

No início dos anos 90, os amigos Celio Diniz, Tiago Gualda, Eduardo Canellas, Eduardo Dezouzart, então estudantes de arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com menos de 20 anos, eram freqüentadores assíduos do Circo Voador, no bairro boêmio da Lapa, no centro do Rio, onde assistiram a shows memoráveis de artistas nacionais e estrangeiros. Hoje, formados, eles são responsáveis pelo projeto no novo circo, que deverá manter suas principais características: a lona e o ecletismo.O grupo desbancou os demais 34 concorrentes no concurso promovido pela Prefeitura para recriação do espaço - fechado em 1996 -, cujo resultado saiu há uma semana, e agora será contratado pelo município. Eles explicam que a idéia central é a do movimento. "Tudo funciona em torno da estrutura central. O projeto é simples, mas muito bonito", diz Celio Diniz.A estrutura principal, que ocupará uma área superior a 500 metros quadrados, será metálica, assim como as arquibancadas que terão capacidade para 1,5 mil pessoas. O objetivo era fazer algo leve e desmontável. A cobertura será uma lona branca, como uma imensa bola que tenta alçar vôo, mas é segura por três arcos que a mantém pregada ao chão. "O circo sempre foi um lugar livre. Vamos manter as várias entradas e o clima democrático", afirma Tiago Gualda.Está prevista ainda a construção de blocos anexos, com camarins, banheiros, prédio administrativo, espaço alternativo para eventos menores e um bistrô, com mesas ao ar livre. "Tudo no circo original era improvisado. Agora teremos mais planejamento", conta Eduardo Canellas.A área do entorno, que fica numa praça, será reurbanizada. Um jardim florido ficará perto das palmeiras já existentes. Eles comemoram a permanência do circo na Lapa. "Aqui tudo tem um quê de cultura", diz Eduardo Dezouzart.Acústica - Uma exigência da Prefeitura, o tratamento acústico mereceu atenção especial dos arquitetos, que contaram com a consultoria de um engenheiro - o fechamento do circo se deveu, em parte, às reclamações dos moradores quanto à altura do som. Sob a lona, será colocado um material que isolará o barulho. "É como um colchão de ar, que servirá ainda para deixar o ambiente menos quente", explica Canellas. O município também recomendou que a infra-estrutura permita a realização de eventos para públicos diferenciados, como festas, gafieira, escola de circo e exposições.A previsão da Secretaria Municipal de Urbanismo é de que as obras comecem ainda este ano, para que o novo circo - inaugurado em 1982 - possa ser reaberto até julho de 2002. O projeto inicial prevê investimentos de R$ 60 mil. Maria Juçá, promotora cultural que administrará o novo circo, comemora. "Parece um sonho ver o circo ressurgir. Ele não vai perder a vocação de formar novos talentos, mas terá estrutura adequada para isso", disse.

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