'Antes que o Mundo Acabe' chega aos cinemas de SP

Estreia hoje em São Paulo, o filme "Antes Que o Mundo Acabe", da diretora gaúcha Ana Luiza Azevedo, vencedor de prêmios importantes no Festival de Paulínia do ano passado - incluindo melhor direção e prêmio da crítica. O longa está há 14 semanas em cartaz na capital gaúcha. Embora o cinema brasileiro não tenha o hábito de investigar o universo dos adolescentes - e pré-adolescentes - de classe média, "Antes Que o Mundo Acabe" chega ao mercado num momento em que outros dois títulos já trilharam esse caminho, "As Melhores Coisas do Mundo", de Laís Bodanzky, e "Os Famosos e os Duendes da Morte", de Esmir Filho.

AE, Agência Estado

20 de agosto de 2010 | 09h37

Ana Luiza admite que o fato de ser mãe - de dois adolescentes - tem a ver com suas escolhas. Ela já contou, no curta "Dona Cristina Perdeu a Memória", a história de um menino e sua vizinha vítima de Mal de Alzheimer. O ator (Pedro Tergolina) é o mesmo que faz o pré-adolescente de "Antes Que o Mundo Acabe". O longa baseia-se num livro de Marcelo Carneiro da Cunha, autor gaúcho que investiga o universo da infância e da adolescência e que, no Sul, é muito conhecido - seus textos são adotados em escolas e isso já deu uma entrada para o filme, junto a um importante segmento do público.

"Os jovens não veem muito cinema brasileiro", diz a diretora. O fato de o livro ser conhecido e de ela ter feito todo um trabalho junto a escolas do Rio Grande do Sul ajudou a vencer a resistência. Casada com o montador Giba Assis Brasil, Ana conta que o marido sempre teve o hábito de ler em voz alta para os filhos, quando crianças. Foi Giba quem lhe chamou a atenção para o livro, dizendo que havia um bom material ali dentro. Ana se encantou. "Tem muitas camadas." O garoto que faz o rito de passagem, o triângulo que forma com o colega e a menina que ambos desejam, a relação com o pai distante, tudo isso somado a uma discussão ética. Essa última fascinou particularmente a diretora.

"Como mãe e artista, me interessa esse tipo de discussão, mas sem ser professoral nem impositiva. Jovens reagem muito às verdades absolutas que lhes são impostas." O roteiro foi escrito em parceria com Paulo Halm, mas Ana não ficou satisfeita. Ele ganhou novas versões com Giba Assis Brasil e Jorge Furtado - todos têm crédito. Faltando pouco para o início da filmagem, ela ainda não tinha o ator. Dando-se conta de que Pedro Tergolina, de "Dona Cristina Perdeu a Memória", estava com a mesma idade do personagem, ela o convidou para participar de uma oficina de interpretação, sem o compromisso de ele virar o protagonista. Pedro fez a oficina e ganhou o papel. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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